O incêndio que atingiu o galpão do Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) na manhã desta terça-feira (21), no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, destruiu processos arquivados e objetos considerados inservíveis, mas, segundo o juiz Anselmo Laghi Laranja, secretário-geral do órgão, “processos mais relevantes estão preservados”.
“A gente tem a convicção de que alguns processos mais relevantes estão preservados, porque nós tivemos o cuidado de ter um departamento de memória”, disse o magistrado em entrevista à rádio CBN.
Segundo o juiz, há normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do próprio tribunal que estabelecem os prazos de guarda e armazenamento desses processos. "Na medida em que os prazos vão vencendo, os processos vão sendo descartados.”
Laranja também afirmou que processos “sensíveis” da Grande Vitória, como os de família e de inventário, assim como os originários do interior capixaba, já estavam todos digitalizados. “Uma parte significativa do arquivo está preservada em razão de ações de digitalização.”
Apesar da preservação dos arquivos que podem vir a ser desarquivados, não há, por enquanto, um levantamento completo das perdas. “Daremos aos servidores o tempo necessário para apresentarem, à direção, o levantamento completo”, afirmou o secretário-geral.
O magistrado também explicou que o galpão destruído pelas chamas tinha destinação mista, servindo para o arquivamento de processos extintos e para armazenar material inservível, como móveis provenientes do interior do Estado que seriam leiloados.
“Portanto, não tinha nenhum processo de tramitação guardado; os processos de tramitação são todos digitais atualmente”, reforçou o juiz.
No local, há outros dois galpões que estão preservados. Neles estão, por exemplo, servidores que armazenam imagens que podem auxiliar nas investigações da Polícia Civil sobre as causas do incêndio.
“Infelizmente, a perda ali é material, e ela é diminuta em razão de serem materiais que já não serviam mais ao funcionamento da Justiça”, disse o magistrado.
Já a Ordem dos Advogados do Espírito Santo disse, em nota, que "se solidariza com o TJES diante deste fato e torce para que os danos sejam mínimos possíveis para a prestação jurisdicional”.
O que diz o TJES
O TJES divulgou um comunicado afirmando que a atual administração, que assumiu o comando da Corte em dezembro de 2025, vem adotando medidas contínuas de organização, conservação e limpeza do espaço.
"Entre as ações realizadas, destacam-se mutirões de limpeza e reorganização do acervo, incluindo uma força-tarefa realizada em junho deste ano, voltada à manutenção e preservação das instalações", disse a nota.
O órgão informou ainda que, em dezembro de 2025, promoveu uma ampla ação de reorganização do Arquivo Geral e que, como resultado desse trabalho, bens permanentes novos da instituição foram realocados e preservados, não sendo atingidos pelo incêndio.
"Com grande pesar, o Tribunal informa que os arquivos físicos existentes no local sofreram perda total, embora uma parte estivesse digitalizada. O TJES, em conjunto com os órgãos públicos de segurança competentes, realizará uma apuração criteriosa das causas e circunstâncias do incidente", finalizou.
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