O incêndio que atingiu o Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), na Serra, espalhou fragmentos de processos judiciais até Jardim Camburi, em Vitória. Moradores ficaram surpresos com a chuva de cinzas e fuligem na região e encontraram, inclusive, pedaços de documentos queimados com termos jurídicos.
Ao sair cedo de casa, um morador do bairro filmou um desses fragmentos, no qual a palavra “juiz” estava escrita. A quantidade de fuligem que caía sobre os veículos estacionados no bairro também chamou sua atenção.
“Quando parei o carro na Avenida Ranulpho Barbosa dos Santos, em Jardim Camburi, notei que estava caindo cinzas do céu. Foi quando resolvi pegar uma dessas cinzas, como pode ver (no vídeo). Dá para ver alguns termos jurídicos, e até informações de processos”, relatou o morador.
Em uma das fotos feitas por ele, é possível ler “Criminal de Vila”, o que pode indicar que o documento fazia menção à Vara Criminal de Vila Velha.
Outro morador do bairro, Rodrigo Sily Loyola percebeu a chuva de cinzas que caía sobre a varanda quando chegou de uma corrida. “Parecia neve”, relata.
“Não eram nem 8 horas. Percebi que tinha uns pedaços brancos na varanda e fiquei na dúvida se eram cinzas, mas não sentia cheiro de queimado nem sabia do incêndio ainda. Então, eu e minha esposa achamos que fossem restos de tinta de alguma obra no prédio, como se alguém tivesse raspado a parede. Foi só quando ligamos a TV que soubemos o que estava acontecendo”, conta Loyola.
A fuligem se espalhou por boa parte do bairro. Além da Avenida Ranulpho Barbosa dos Santos, as cinzas foram vistas por moradores das ruas Julia Lacourt Penna, Silvino Grecco e Carlos Martins, entre outras vias paralelas à praia, bem como nas ruas transversais Milton Manoel dos Santos, Ruy Pinto Bandeira e Antônio Araújo Lyra.
Destruição total
As chamas no Arquivo Geral do TJES na Serra começaram por volta das 6h30 e destruíram totalmente o galpão, segundo o comandante-geral do 11
Corpo de Bombeiros Militar, coronel Alexandre dos Santos Cerqueira.
“O incêndio está confinado, não há possibilidade de propagação para outro galpão, mas a informação preliminar é de que o galpão foi todo destruído. Mais à frente, por meio da perícia, vamos ter noção do que realmente se deu”, declarou o comandante, em entrevista ao vivo durante o telejornal Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta.
De acordo com o secretário Geral do Tribunal de Justiça, juiz Anselmo Laghi Laranja, o incêndio destruiu todo o acervo físico que estava armazenado no local, composto por processos já arquivados, além de dezenas de objetos considerados inservíveis, como móveis, que estavam em fase de leilão.
“O arquivo foi todo queimado, assim como a parte do galpão onde estavam armazenados os bens inservíveis, já separados em lotes e com leilão publicado, infelizmente. A frustração com o que ocorreu e a dor é muito grande”, desabafou o juiz Anselmo Laghi Laranja, secretário Geral do Tribunal de Justiça.
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