O vereador de Vitória Orlandino Rodrigues de Souza, o Baiano do Salão (Podemos), registrou pedido de afastamento das atividades legislativas pelo período de dez dias. Em documento encaminhado à Câmara de Vereadores, o parlamentar, condenado por estuprar uma criança, informa que a licença acontece por questões de saúde.
Conforme informações apuradas pela reportagem junto à Câmara, o requerimento de afastamento apresentado por Baiano do Salão foi lido na sessão plenária da segunda-feira (20). A informação também é confirmado em nota assinada pelo próprio parlamentar, obtida por A Gazeta nesta terça (21).
“Em razão do agravamento do meu estado de saúde, decorrente do intenso desgaste emocional provocados pelos recentes acontecimentos, comunico o meu afastamento temporário das atividades parlamentares", afirma, no documento.
Em outro trecho da nota, Baiano do Salão diz estar enfrentando um período de “profundo sofrimento” para ele, seus amigos e familiares. “Mantenho a serenidade e a convicção de que a verdade prevalecerá”, frisa o parlamentar.
Processo de cassação
Por unanimidade, a Câmara Municipal de Vitória aprovou a instauração do processo político-administrativo que pode cassar o mandato de Baiano do Salão (Podemos), na mesma sessão em que seu pedido de afastamento foi lido em plenário. A aprovação do procedimento contou com 18 votos favoráveis.
A representação contra o parlamentar por suposta violação de conduta ética e quebra de decoro parlamentar se deu a partir de denúncia feita pelo presidente da Casa, Anderson Goggi (Republicanos). Segundo o documento, encaminhado à Corregedoria, os atos violentos são “incompatíveis com a dignidade da Câmara e com o exercício do mandato parlamentar”.
O vereador foi sentenciado a 31 anos e seis meses de prisão pelos crimes de estupro e lesão corporal contra uma vítima de 5 anos. Como revelou a colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta, os abusos e agressões contra a criança ocorreram ao longo de um período de quatro meses, no ano de 2020.
Apesar da condenação, a Justiça permitiu que o vereador recorra em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica. A decisão judicial também não determinou o afastamento do cargo de Baiano do Salão, que se elegeu em 2024, com 2.171 votos.