O incêndio de grandes proporções que atingiu o galpão do Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, na manhã desta terça-feira (21), era uma tragédia anunciada.
Em outubro do ano passado, A Gazeta publicou uma reportagem mostrando problemas estruturais no Arquivo Geral após denúncias do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Espírito Santo (Sindijudiciário-ES). À época, a entidade apontou riscos de incêndio, mofo, pragas e condições consideradas inadequadas para a preservação do acervo e para o trabalho dos servidores.
No ofício encaminhado ao TJES, o sindicato afirmou que o material estava armazenado em um ambiente "inadequado, insalubre e vulnerável", situação que poderia comprometer a integridade dos documentos e colocar em risco a saúde de servidores e terceirizados.
"Tal desorganização e precariedade colocam em risco a preservação do acervo histórico e jurídico do Tribunal, podendo ocasionar a perda irreversível de documentos e informações essenciais à efetividade da prestação jurisdicional", alertou o sindicato. "Trata-se, portanto, de questão que afeta diretamente o acesso à justiça e a memória institucional do TJES."
Após a publicação da reportagem, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que solicitou esclarecimentos ao TJES sobre as condições do local e destacou que o caso passou a ser acompanhado pelo Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname).
O que diz o TJES
O TJES divulgou um comunicado afirmando que a administração atual assumiu em dezembro de 2025 e vem adotando medidas contínuas de organização, conservação e limpeza do espaço. "Entre as ações realizadas, destacam-se mutirões de limpeza e reorganização do acervo, incluindo uma força-tarefa realizada em junho deste ano, voltada à manutenção e preservação das instalações", disse a nota.
O órgão informou ainda que, em dezembro de 2025, promoveu uma ampla ação de reorganização do Arquivo Geral e, como resultado desse trabalho, bens permanentes novos da instituição foram realocados e preservados, não sendo atingidos pelo incêndio.
"Com grande pesar, o Tribunal informa que os arquivos físicos existentes no local sofreram perda total, embora uma parte estivesse digitalizada. O TJES, em conjunto com os órgãos públicos de segurança competentes, realizará uma apuração criteriosa das causas e circunstâncias do incidente", finalizou.
Galpão totalmente destruído
As chamas no Arquivo Geral do TJES na Serra começaram por volta das 6h30 e destruíram totalmente o galpão, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Alexandre dos Santos Cerqueira.
“O incêndio está confinado, não há possibilidade de propagação para outro galpão, mas a informação preliminar é de que o galpão foi todo destruído. Mais à frente, por meio da perícia, vamos ter noção do que realmente se deu”, declarou o comandante, em entrevista ao vivo durante o telejornal Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta.
Arquivos de processos, documentos físicos, almoxarifado e depósito
O complexo do Arquivo Geral do TJES tem mais de 10 mil metros quadrados e centraliza o arquivamento de processos e documentos físicos das comarcas de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha e Viana. O espaço também abriga a Seção de Almoxarifado e Patrimônio do Judiciário estadual, além do depósito de materiais de construção civil da Secretaria de Engenharia e Gestão Predial. A unidade foi inaugurada em abril de 2018.
Segundo informações do próprio Tribunal de Justiça, cerca de 8 mil metros quadrados são destinados exclusivamente ao arquivo, enquanto 1,6 mil metros quadrados são utilizados pelo Patrimônio e Almoxarifado e outros 300 metros quadrados funcionam como depósito da Secretaria de Engenharia. O complexo é formado por quatro galpões e uma sede administrativa.