A reportagem de A Gazeta teve acesso, na manhã desta terça-feira (21), a documentos internos do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) que revelam que uma visita técnica ao Arquivo Geral do órgão, atingido por um incêndio em Jardim Limoeiro, na Serra, estava prevista para esta quarta-feira (22). O fogo que atingiu o local nesta terça (21) destruiu completamente os arquivos.
O encontro foi agendado para discutir justamente o reforço da segurança do local onde funcionam a guarda de processos, o almoxarifado e o depósito patrimonial do Judiciário estadual.
Os documentos fazem parte de um processo administrativo aberto para avaliar e reforçar a segurança institucional do imóvel. Em um despacho, datado de segunda-feira (20), a Secretaria de Infraestrutura encaminha o processo à Coordenadoria de Suprimento e Controle Patrimonial para adoção das providências necessárias à realização de uma visita técnica conjunta entre a própria secretaria, a Assessoria de Segurança Institucional e a Secretaria de Engenharia.
Em outro documento, a Secretaria de Engenharia confirma a realização da vistoria para o dia 22 de julho, às 13h, com o objetivo de avaliar as condições de segurança do imóvel.
O incêndio, no entanto, ocorreu na terça-feira (21), um dia antes da data prevista para a inspeção. Conforme mostrou A Gazeta, o galpão já havia sido alvo de alertas sobre risco de incêndio meses antes da ocorrência do fogo.
A reportagem procurou o TJES para saber quando o processo administrativo foi instaurado, quais problemas motivaram a abertura do procedimento e se havia risco identificado anteriormente que pudesse ter relação com o ocorrido. Não houve resposta até a publicação desta matéria, mas este espaço segue aberto para manifestação do Judiciário capixaba.
Em nota à imprensa na manhã desta terça, especificamente sobre o incêndio, o TJES informou que o Arquivo Geral possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido e vigente e que o imóvel era coberto por seguro contra incêndio. O tribunal também afirmou que o local contava com sistema de videomonitoramento e que vinha recebendo ações de organização, conservação e limpeza desde o início da atual gestão, incluindo um mutirão realizado em junho deste ano.
Segundo o Judiciário, uma força-tarefa promovida após a posse da presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, em dezembro de 2025, permitiu a retirada de bens permanentes novos do galpão, que não foram atingidos pelo incêndio.
O tribunal confirmou, entretanto, que os arquivos físicos armazenados no imóvel tiveram perda total. Parte do acervo já havia sido digitalizada e, segundo o TJES, todos os processos encaminhados ao Arquivo Geral durante a atual gestão passaram por digitalização antes do armazenamento, preservando essas informações.
Por fim, o TJES informou que, em conjunto com os órgãos de segurança pública, fará uma apuração para identificar as causas e as circunstâncias do incêndio.