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Letícia Gonçalves

Lorenzo Pazolini e Magno Malta: os laços por trás da nova aliança

Senador subiu no palanque do ex-prefeito de Vitória na corrida pelo Palácio Anchieta. A relação entre os dois já passou por parceria, afastamento e nomeação em cargo comissionado

Publicado em 22 de Julho de 2026 às 07:19

Públicado em 

22 jul 2026 às 07:19
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
31/08/2017. Audiência pública na CPI dos Maus-tratos. (E/D) O relator da CPI, senador José Medeiros; o presidente da comissão, senador Magno Malta; e o delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Lorenzo Pazolini
Audiência pública na CPI dos Maus-tratos, em 31/08/2017. O relator da CPI, senador José Medeiros; o presidente da comissão, senador Magno Malta; e o delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Lorenzo Pazolini Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A aliança entre Republicanos e PL no Espírito Santo traz, direta ou indiretamente, a figura do senador Magno Malta, presidente estadual do Partido Liberal, para a campanha do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato ao Palácio Anchieta. 


Ainda não se sabe se Magno vai aparecer no horário eleitoral pedindo votos para Pazolini, mas os dois estão juntos desde já.


No último sábado (18), quando a parceria entre as duas siglas foi publicamente consolidada, Pazolini chegou a citar lateralmente o senador, ao discursar durante o encontro estadual do PL. 


Na verdade, o ex-prefeito elogiou Maguinha Malta, filha de Magno que é pré-candidata ao Senado e, ao fazer isso, lembrou que o senador é uma "inspiração" para ela.


Não fez muitas menções ao novo aliado, mas cumpriu uma etapa necessária para garantir o PL no palanque. Endossou a pré-candidatura de Maguinha.


A ligação entre Magno e Pazolini não é inédita, remonta ao menos a 2017, quando o ex-prefeito era delegado titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). 


O senador, por sua vez, estava à frente da CPI dos Maus-tratos. Pazolini participou da comissão como convidado e ganhou ainda mais visibilidade.


Em 2018, foi eleito deputado estadual pelo PRP. Em 2019, abrigou uma filha de Magno no gabinete na Assembleia Legislativa.


Não foi Maguinha Malta a nomeada e sim a jornalista Karla Malta, hoje presidente estadual do PL Mulher. Ela exerceu o cargo comissionado de técnico júnior de gabinete de fevereiro a outubro daquele ano. 


Alguma irregularidade nisso? Não. É apenas mais um sinal dos laços entre Pazolini e Magno.

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Pazolini vestiu a camisa do bolsonarismo e a aliança com o PL foi selada. E agora?

Em 2020, Pazolini disputou a Prefeitura de Vitória pela primeira vez, já filiado ao Republicanos. O PL não estava na coligação dele. O partido lançou Halpher Luiggi na disputa.

Pazolini disputou o segundo turno contra João Coser (PT) e, aí o PL o apoiou. A proximidade com Magno, na ocasião, não foi explorada pela campanha do republicano que, aliás, deixou isso bem de escanteio.

Em 2024, mais uma vez, PL e Republicanos estiveram em palanques diferentes.

Pazolini disputou a reeleição e o Partido Liberal lançou Capitão Assumção. O prefeito sagrou-se vitorioso ainda no primeiro turno.

Durante o exercício dos mandatos na prefeitura da Capital, Pazolini não manteve proximidade com Magno.

A estratégia político-eleitoral do republicano foi mais voltada à centro-direita que à extrema direita.

Tanto que Pazolini nunca havia declarado apoio a um candidato à Presidência da República e, nos bastidores, recebia críticas por não se declarar bolsonarista.

Isso mudou agora. No último dia 13, o ex-prefeito afirmou com todas as letras que seu pré-candidato ao Palácio do Planalto é o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Ele já havia feito outras concessões e sinalizações aos fãs do clã Bolsonaro, como ao defender a anistia para os condenados pela tentativa de golpe de Estado de 2023 e ao orar, dentro da Prefeitura de Vitória, em prol da recuperação da saúde de Jair.

Mas faltava vestir a camisa. Pazolini fez isso literal e metaforicamente no sábado, quando chegou ao encontro do PL usando uma indumentária alusiva à Seleção Brasileira, símbolo abraçado pelos bolsonaristas.

A presença e as palavras do ex-prefeito garantiram o pacto com o partido de Magno.
Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini
Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini no encontro estadual do PL Foto: Fernando Madeira

Pacto esse que provocou uma fissura na aliança anteriormente firmada pelo Republicanos com o PSD do ex-governador Paulo Hartung.


O ex-prefeito agora vai ter que administrar, além do apetite do PL sobre a chapa majoritária (vagas de candidatos a vice e ao Senado), o peso da associação com Magno.


O político do PL tem, sim, um público fiel, tanto que foi o grande vencedor da corrida pelo Senado em 2022.


Ao mesmo tempo, porém, Magno carrega um alto índice de rejeição:

55% dos entrevistados pela Quaest dizem que o conhecem e não votariam nele.


Se ele fosse candidato ao governo estadual, como chegou a cogitar. O PL, entretanto, retirou de campo a ideia de lançar candidatura própria para apoiar Pazolini


CURIOSIDADE:


Em 2018, quando Pazolini foi eleito pela primeira vez, ganhando uma cadeira na Assembleia Legislativa, estava filiado ao PRP.


Apenas uma outra sigla juntou-se a ele na coligação: o PCdoB.


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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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