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Letícia Gonçalves

Pazolini vestiu a camisa do bolsonarismo e a aliança com o PL foi selada. E agora?

Ex-prefeito de Vitória é pré-candidato ao governo do ES e afirmou ter "muito em comum" com os novos aliados. Mas há riscos envolvidos

Publicado em 18 de Julho de 2026 às 15:00

Públicado em 

18 jul 2026 às 15:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini
Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini durante encontro estadual do PL, em Vitória Fernando Madeira


O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) vestiu de vez a camisa do bolsonarismo. E não me refiro apenas à indumentária alusiva à Seleção Brasileira que ele usou no encontro estadual do PL neste sábado (18). 

Além de declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro na corrida pela Presidência da República, ele endossou a filha do senador Magno Malta, Maguinha Malta, como pré-candidata ao Senado e exaltou os "valores da família" ao discursar para os fãs do clã Bolsonaro.

Trata-se de uma quebra de paradigma, considerando que o ex-prefeito nunca havia denotado diretamente preferência por nenhum candidato ao Palácio do Planalto em pleitos anteriores. A tomada de posição já rendeu frutos. Flávio, ao discursar em Vitória neste sábado, garantiu apoio ao ex-prefeito na disputa pelo Palácio Anchieta.

Ter o PL no palanque é um trunfo em termos de tempo de exibição no horário eleitoral, verba para fazer campanha e potenciais cabos eleitorais, uma vez que candidatos a deputado estadual e federal do Partido Liberal podem pedir votos em prol de Pazolini.

O pré-candidato do Republicanos também deve conquistar, assim, a simpatia dos eleitores mais à direita. Os de esquerda vão rechaçá-lo, mas a tendência é que já fizessem isso, de qualquer forma, uma vez que o ex-prefeito é um político de centro-direita.

A questão é: e quanto aos eleitores que preferiam o perfil mais "neutro" adotado até aqui e que lhe rendeu vitórias nas urnas?

Abraçar o PL no Espírito Santo é abraçar o senador Magno Malta, presidente estadual da sigla e que, de acordo com os entrevistados pela Quaest, é rejeitado por 55% dos eleitores.

O nome de Magno foi incluído na pesquisa porque ele era um potencial candidato ao Palácio Anchieta. Não é mais, já que o PL está com Pazolini.

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"Algumas pessoas dizem: 'Ah, Magno, você jogou fora a oportunidade de ser governador'. Eu sou mais importante no Senado ou aqui como governador", indagou o senador à plateia durante o encontro do PL. Ele e seus apoiadores concluíram que é melhor Magno ficar em Brasília.

Ao se aliar ao Partido Liberal, o ex-prefeito fica menos isolado. Até então, ele tinha apoio declarado apenas do PSD do ex-governador Paulo Hartung.

Mas ganha também um problemão: equilibrar aliados de Hartung e de Magno na mesma coligação. Se o PSD se mantiver na aliança.

Integrantes do PL ouvidos pela coluna reservadamente avaliaram que o apoio do ex-governador a Pazolini é um empecilho na hora de pedir votos a agentes da área da segurança pública, como policiais militares. Ainda resquício da greve da PM de 2017, que ocorreu na gestão Hartung.

Membros das forças policiais são, em geral, simpáticos ao bolsonarismo. Pazolini é delegado da Polícia Civil e pode ter penetração nesse eleitorado também. Mas alguns de seus próprios novos aliados têm dúvidas.

"TEMOS MUITO EM COMUM"

Ao discursar no encontro estadual do PL, o ex-prefeito foi breve, mas deixou evidente a adesão aos novos aliados e cravou: "Temos muito em comum".

Ideologicamente e até pragmaticamente, pode ser. Mas em termos de estilo, o ex-prefeito vai ter que fazer mais que vestir a amarelinha.

O jeito de fazer política do PL é, via de regra, verborrágico e agressivo. Magno diz querer "40 pit bulls não vacinados e que mordem" para ganhar as eleições.

Não digo que o ex-prefeito de Vitória vai adotar tal dialeto, mas ao menos terá que dosar a postura discreta e de poucas palavras para se ambientar no ninho bolsonarista.


Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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