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Letícia Gonçalves

Ilustres semiconhecidos: eleitores ignoram até pré-candidatos ao Senado "famosos" no ES

Pesquisa Quaest mostra que 55% não sabem quem é Marcos do Val. Outros 40% desconhecem Contarato. E 47% ignoram o nome Sérgio Meneguelli. Veja os dados e a análise da coluna

Publicado em 18 de Julho de 2026 às 08:14

Públicado em 

18 jul 2026 às 08:14
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Os senadores Marcos do Val e Fabiano Contarato em votação no plenário do Senado Assessoria/Marcos do Val

Após quase oito anos de mandato e participação em diversos episódios midiáticos, alguns de repercussão nacional, o senador Marcos do Val (Avante), pré-candidato à reeleição, é desconhecido por 55% dos eleitores do Espírito Santo, de acordo com pesquisa Quaest realizada a pedido de A Gazeta.


O senador Fabiano Contarato (PT), também pré-candidato à reeleição, é desconhecido por 40%


Em 2018, o petista, na época filiado à Rede, foi o nome mais votado nas urnas no estado, superando até Renato Casagrande (PSB), que foi alçado ao comando do governo.


Os mandatos de Do Val e Contarato têm certa visibilidade. O senador do Avante, aliás, ainda que por vezes de forma negativa, está frequentemente sob os holofotes.

Ainda assim, a maioria dos eleitores diz não saber quem ele é, ao menos ao apenas ouvir o nome do parlamentar, que é como a pesquisa é feita. 

Entre os entrevistados que os conhecem, Contarato é rejeitado por 35% e Do Val, por 30%.

Os pré-candidatos mais desconhecidos dos eleitores são, obviamente, os que têm menos exposição, como Carlos Fabian (PSOL), que entrou na corrida recentemente e não tem mandato. Ele é desconhecido por 88% dos eleitores.

Em seguida aparecem o deputado estadual Wellington Callegari (DC) e o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo), com 87% cada um.

Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta e uma das principais apostas da direita no pleito, é desconhecida por 60%.

Quase metade dos eleitores (47%) disseram não conhecer o deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD), fenômeno de popularidade gestado nas redes sociais.

No extremo oposto está Casagrande. Ele lidera as intenções de voto e apenas 6% dos entrevistados disseram desconhecê-lo. 

Nos bastidores, o ex-governador é considerado "virtualmente eleito", tamanho o favoritismo para ficar com uma das vagas de senador.

Os demais, portanto, estão lutando em um mar de semianonimato ou esquecimento pela segunda vaga.

Pesquisa Quaest
Pesquisa Quaest Reprodução
Tradicionalmente, os eleitores deixam para escolher o candidato a senador aos 45 do segundo tempo, principalmente quando há duas vagas em jogo.

Não à toa, Contarato e Do Val foram ungidos pelas urnas em 2018 de forma surpreendente, num rompante de "renovação" de última hora.

Faltando dois meses e meio para o pleito de 2026, a pesquisa espontânea feita pela Quaest, ou seja, quando os nomes dos pré-candidatos não são informados aos entrevistados, mostra que, de novo, há um campo aberto.

Setenta por cento responderam que não sabem em quem votar para o Senado. 


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Não é novidade que o eleitor tem memória curta em relação aos parlamentares no Brasil.

A eleição para o Senado em 2026, entretanto, é considerada uma das mais relevantes dos últimos anos porque, desta vez, os partidos, especialmente o PL e o campo da direita, realizam um esforço e uma estratégia nacional para garantir assentos lá.

Depois de perceber a organização dos adversários, a esquerda também se mexeu.

O Senado, antes uma Casa revisora mais ponderada e madura que a Câmara dos Deputados, foi contaminado nos últimos anos pelo debate ideológico e pelo estilo TikTok de fazer política.

A projeção é que fique pior a partir de 2027, com o agravante de ser o local em que se pode aprovar impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

O Senado que se avizinha deve ser um dos principais campos de batalha institucionais do país. 

E, no Espírito Santo, os eleitores ainda tateiam o terreno.


Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada por A Gazeta, foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-07211/2026.


Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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