O governo do Espírito Santo vai anunciar, nesta quarta-feira (08), um conjunto de medidas para amenizar os impactos do El Niño no Estado. O aquecimento das águas do Pacífico já é uma realidade e vão haver alterações climáticas importantes no Brasil e também no Espírito Santo. São esperados, até o começo de 2027, eventos mais extremos: períodos secos mais prolongados; chuvas espaçadas, mas mais fortes que o normal quando vierem; e calor mais severo. Tudo se confirmando, haverá transtornos para todos os lados, inclusive no agronegócio, afinal, estamos falando de uma 'indústria a céu aberto'.
A grande preocupação dos técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura está nas altas temperaturas. Elas devem vir, por exemplo, justamente no período mais importante da formação do café: durante a floração e o enchimento dos frutos. A depender da potência do El Niño, haverá consequências na safra de 2027. Aliás, o mercado já começou a precificar essa possibilidade.
No que diz respeito à água, desde meados da década passada, quando o Estado enfrentou uma gravíssima estiagem, muitas barragens, particulares e públicas, foram construídas. O cenário é muito melhor que o de uma década atrás. No Norte e Noroeste, praticamente todas as lavouras de café são irrigadas, o que já ameniza consideravelmente a situação. Já no Sul e nas regiões montanhosas, embora também haja reservatórios, são poucas as propriedades que contam com irrigação.
"Temos uma situação de muito mais resiliência do que tínhamos há alguns anos. Nossa preocupação maior é com as altas temperaturas. A orientação é para economizar o máximo de água, afinal, não sabemos o que virá, o cenário é de crise e teremos impactos, mas fizemos o dever de casa nos últimos anos. Tem que fazer controle de irrigação porque pode ser que precise de água no verão. Todos temos de estar de prontidão para enfrentar os problemas que virão da melhor maneira possível", explicou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli. "Estamos nos preparando e o produtor deve fazer o mesmo, a orientação do governo é para que façam seguro de suas lavouras, afinal, os efeitos são incertos".
Medidas também serão tomadas na pecuária, principalmente de leite. Secas mais prolongadas e temperaturas altas devem provocar aumento das queimadas, reduzindo a oferta de comida para os animais. "Já doamos equipamentos para as associações e a orientação é para armazenar alimento. Está proibido o incêndio controlado no Espírito Santo e deve permanecer proibido até o final do El Niño. Também estamos orientando a criação de aceiros, para evitar que eventuais incêndios se alastrem, protegendo as propriedades", explicou o secretário.
O governo do Estado também já encaminhou uma conversa com os bancos que operam crédito rural para que flexibilizem as condições de pagamento em caso de agravamento da crise climática. "Se ficar provado que o produtor foi prejudicado pelo El Niño, já temos um acordo com as instituições de crédito para que eles assegurem o capital de giro e alonguem o parcelamento. Vamos acompanhar a situação de perto, caso a coisa piore, vamos lançar mão de outras medidas", adiantou Bergoli.
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