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Rafael Furlanetti

Perdemos a Copa, mas precisamos ganhar o jogo que realmente importa

No futebol, esperamos quatro anos por uma nova Copa. Na economia, temos uma nova oportunidade todos os dias

Publicado em 08 de Julho de 2026 às 04:00

Públicado em 

08 jul 2026 às 04:00
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

O Brasil perdeu a Copa do Mundo. Faz parte do esporte. Alguém vence, alguém perde. O apito final encerra um campeonato, mas não define o destino de um país. 


Na verdade, o jogo mais importante para o Brasil nunca foi disputado dentro das quatro linhas. Ele acontece todos os dias, nas empresas, fábricas, propriedades rurais, portos, laboratórios, universidades, startups e pequenos negócios espalhados pelo país. É ali que se decide o nosso futuro.


Enquanto a Seleção entrava em campo, milhões de brasileiros continuavam produzindo, empreendendo e investindo. O comércio permaneceu aberto, a indústria continuou fabricando, o agronegócio seguiu exportando e milhares de empreendedores aproveitaram o aumento do consumo típico do período da Copa para gerar negócios.

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No Espírito Santo, por exemplo, a estimativa era que o comércio movimentasse cerca de R$ 56,9 bilhões durante a competição. O torneio, por si só, não explica esse volume de negócios, mas funciona como um catalisador para setores como supermercados, bares, restaurantes, vestuário, artigos esportivos, eletrônicos e entretenimento.


Essa talvez seja uma das maiores lições da Copa para quem empreende. Grandes eventos passam. O valor permanece na capacidade de transformar oportunidades temporárias em crescimento permanente. 


No futebol, treinam-se jogadas e se estuda o adversário. Nas empresas, treinam-se pessoas e se estuda o cliente. No futebol, ninguém vence um campeonato apenas pela tradição. No mercado, nenhuma empresa permanece competitiva vivendo das conquistas do passado. Em ambos os casos, execução faz toda a diferença.


Há uma segunda lição igualmente importante: toda Copa do Mundo produz campeões invisíveis, como empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para transmissões, plataformas digitais, fabricantes de equipamentos, redes de logística, companhias aéreas, hotéis, restaurantes, produtores de alimentos e bebidas, indústrias de vestuário, prestadores de serviços. Ou seja, enquanto o mundo olha para o gramado, milhares de empresas vencem fora dele.


E é exatamente esse o tipo de mentalidade que precisamos cultivar. Países desenvolvidos não prosperam apenas porque conquistam títulos esportivos. Prosperam porque transformam grandes eventos em oportunidades para inovação, produtividade, investimentos, empregos e geração de riqueza.


Como executivo do mercado financeiro, aprendi que crescimento sustentável raramente nasce da euforia. Ele nasce da disciplina. Empreendedores sabem disso. Não existe trimestre perfeito, nem empresa que acerte todas as decisões. 


O que diferencia organizações vencedoras é a capacidade de aprender rapidamente, corrigir rotas e continuar executando. A mesma lógica vale para o país inteiro. 

Segmentos da economia capixaba como de petróleo, comércio e mineração estão sendo impactados pela pandemia do novo coronavírus
Segmentos da economia capixaba Beatriz Seixas/Fernando Madeira/ Tadeu Bianconi-Agência Vale

O Brasil perdeu dentro de campo, mas ainda pode vencer fora dele: investindo mais em educação, inovação, infraestrutura, tecnologia e produtividade; criando um ambiente melhor para quem empreende; formando talentos, apoiando startups, fortalecendo a indústria, ampliando sua inserção internacional e valorizando quem produz riqueza.


O Espírito Santo conhece bem essa lógica. Nos últimos anos, o Estado mostrou que planejamento, equilíbrio fiscal, segurança jurídica e capacidade de diálogo podem criar um ambiente favorável aos investimentos. 


Compreender que desenvolvimento não acontece por acaso, que é consequência de boas escolhas feitas de forma consistente ao longo do tempo, representa uma grande vantagem competitiva.


Nesse início de segundo semestre, essa é uma mensagem importante: se a partida da Copa acabou, o nosso jogo continua. Ainda há metas para entregar, empresas para construir, investimentos para realizar, empregos para gerar, tecnologia para desenvolver, mercados para conquistar.


No futebol, esperamos quatro anos por uma nova Copa. Na economia, temos uma nova oportunidade todos os dias. O Brasil perdeu um campeonato, mas o ano ainda está longe de terminar. Vamos virar a chave e voltar a fazer aquilo que sempre construiu as sociedades mais prósperas: trabalhar, inovar, empreender e confiar.


Porque o verdadeiro título que o Brasil precisa conquistar não será levantado em um estádio. Ele será construído, dia após dia, por milhões de brasileiros que entram em campo todas as manhãs para fazer o país crescer.

Rafael Furlanetti

Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espirito Santo

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