A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participou, nesta terça-feira (07), em Washington, da audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa da investigação conduzida no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana. A tarifa extra pode chegar aos 37,5%. Representada pelo vice-presidente, Fábio Cruz, a entidade apresentou argumentos em defesa da exclusão das rochas naturais brasileiras das medidas tarifárias em discussão. Em 2025, o Brasil exportou US$ 795 milhões em rochas naturais para o mercado americano.
Cruz ressaltou que aproximadamente 99,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos são de chapas, utilizadas principalmente na fabricação de bancadas de cozinha e banheiro, revestimentos e outras aplicações residenciais e comerciais de alto padrão. A indústria norte-americana, de acordo com o argumento brasileiro, não compete nestes segmentos.
O posicionamento apresentado pela Centrorochas foi reforçado durante a audiência por importantes representantes da cadeia americana de rochas naturais. Entre eles esteve o Natural Stone Institute (NSI), principal entidade representativa do setor nos Estados Unidos, cujo diretor executivo, Jim Hieb, também participou da audiência pública defendendo a relevância da pedra natural brasileira para a economia americana e a necessidade de preservar uma cadeia de suprimentos estável e competitiva. A manifestação brasileira ainda contou com o respaldo de importadores e distribuidores americanos, incluindo a Pacific Shore Stones, distribuidora com 17 unidades em seis estados americanos. Em seus posicionamentos encaminhados ao USTR, as empresas destacaram que diversos materiais brasileiros não possuem substitutos equivalentes em quantidade, variedade, características técnicas ou aceitação comercial, além de alertarem para os potenciais impactos das tarifas sobre custos, investimentos e a estabilidade da cadeia de suprimentos nos Estados Unidos.
“Mais do que defender os interesses do setor em um momento específico, nossa presença demonstra o compromisso de construir uma relação duradoura com o mercado americano. As rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica. Pelo contrário, complementam uma cadeia produtiva que gera empregos, investimentos e renda em diversos estados dos Estados Unidos. A exclusão do setor das medidas propostas está alinhada aos interesses econômicos da indústria americana e contribui para preservar a competitividade das empresas que dependem desses materiais e evitar custos adicionais aos consumidores”, assinalou Fábio Cruz em sua fala ao USTR.
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