A Espírito Santo Saneamento, concessionária responsável pelo esgotamento sanitário de Vitória e mais 34 municípios capixabas, quer transformar a capital capixaba na primeira a converter 100% do esgoto tratado em água de reúso. A ideia é entregar o efluente tratado para uso industrial, reduzindo, assim, a pressão em cima dos rios da Grande Vitória.
A Espírito Santo Saneamento é o consórcio formado pela espanhola GS Inima e pela capixaba Forte Ambiental, de Cariacica. A companhia assumiu o comando da operação de esgoto das 35 cidades capixabas no começo de abril, após vencer um leilão realizado em junho de 2025. O contrato de 25 anos prevê aportes de R$ 4,9 bilhões ao longo do período. A GS também venceu um outro contrato, de R$ 2,2 bilhões, para construir e tocar a Estação de Produção de Água de Reúso (Epar) da região de Camburi (bairros da zona Norte de Vitória, além de Hélio Ferraz, Manoel Plaza, Rosário de Fátima, Eurico Salles, Carapina I e Bairro de Fátima, na Serra). Essa estrutura, que teve a sua construção iniciada há poucos dias, nascerá em condições de tratar o esgoto e entregar água de reuso a quem interessar. A ideia básica é juntar as demandas dos dois contratos: tratar o esgoto e entregar água de reúso.
Já há um acordo fechado com a ArcelorMittal Tubarão para o fornecimento de 300 litros de água de reúso por segundo e conversas com a Vale, mas é possível ir além. A vazão estimada em Vitória é de 635 litros por segundo, o suficiente para abastecer o Complexo de Tubarão (Vale e ArcelorMittal) e outras fábricas da região.
Para dar conta é preciso ter mais matéria-prima, ou seja, esgoto. Por isso, a Espírito Santo Saneamento estuda trazer pelo menos uma parte da operação da Estação de Tratamento de Esgoto de Mulembá, em Joana D'Arc, Vitória, e que não tem a tecnologia necessária, para a nova estação que está sendo construída. Lembrando que a Estação de Tratamento de Esgoto de Camburi, que funciona na área do Aeroporto de Vitória, será desativada assim que a Estação de Produção de Água de Reúso ficar pronta.
Os executivos da Espírito Santo Saneamento argumentam que, além de poupar o recurso natural e estar dentro dos mais modernos conceitos de economia circular, a empresa que contratar o serviço de fornecimento de água de reúso estará ajudando também na descarbonização, já que o bombeamento e o tratamento de água potável exigem muito mais energia.
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