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Se cuida

Corrida e lipedema: descubra quando a atividade pode ajudar ou piorar os sintomas

Entenda por que o exercício não deve ser a primeira opção para iniciantes e quando ele pode ser mantido com orientação

Publicado em 21 de Julho de 2026 às 19:15

Portal Edicase

Publicado em 

21 jul 2026 às 19:15
A corrida não deve ser tratada como inimiga automática de pacientes com lipedema (Imagem: PanyaStudio | Shutterstock)
A corrida não deve ser tratada como inimiga automática de pacientes com lipedema Crédito: Imagem: PanyaStudio | Shutterstock
A corrida é uma atividade física que vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil por contribuir para a saúde cardiovascular, o condicionamento físico e o bem-estar. No entanto, para pessoas com lipedema, é comum surgirem dúvidas sobre a prática desse exercício. Afinal, a corrida pode continuar fazendo parte da rotina ou existe o risco de agravar os sintomas da doença?
A resposta, segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, não é tão simples quanto parece. Tudo depende de fatores como o perfil da paciente, o estágio da doença e a forma como o exercício é introduzido.
De acordo com a fisioterapeuta, o primeiro passo é entender que o movimento faz parte do tratamento. No entanto, isso não significa que qualquer exercício seja indicado ou que a mesma estratégia funcione para todas as pacientes. “O exercício é um dos pilares do cuidado no lipedema. Só que uma mulher sedentária não deve começar pela corrida. O corpo precisa de adaptação, e o impacto, nesse começo, pode gerar mais desconforto do que benefício”, afirma.

O que está em jogo?

O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal e simétrico de gordura, principalmente em pernas e coxas, podendo causar dor, sensibilidade, inchaço e hematomas frequentes. Nos consensos recentes sobre a condição, a atividade física aparece como parte importante do manejo, mas não como solução isolada e muito menos como receita única.
Nesse contexto, a corrida se torna um ponto de atenção porque é uma atividade de impacto. Para uma mulher que nunca teve rotina de exercício, sair do zero e começar por uma modalidade mais agressiva para as articulações e para o sistema linfático pode aumentar a inflamação percebida e piorar sintomas como dor e peso nas pernas. “Se a paciente está inflamada, com sensibilidade ao toque, hematomas e sensação de pernas pesadas, o momento da corrida pode não ser o ideal”, explica a Dra. Mariana Milazzotto.

Quando o impacto pesa mais

O aumento de provas e corridas em diversas cidades no país e a participação crescente feminina também são vistos, por muitas mulheres, como símbolo de saúde e autonomia. Mas, no lipedema, essa imagem nem sempre se traduz em boa resposta corporal. Modalidades de alto impacto podem ser bem toleradas por quem já tem condicionamento, estrutura muscular e adaptação progressiva. Para quem está começando, o risco de sobrecarga é maior.
Segundo a Dra. Mariana Milazzotto, a atividade física é útil para melhorar sintomas, qualidade de vida, drenagem linfática e inflamação, com destaque para práticas aquáticas e treinamento de força. “Não é sobre proibir a corrida para toda paciente com lipedema”, diz. “É sobre entender em que momento ela faz sentido. Uma mulher já ativa, que gosta de correr e não piora sintomas, pode continuar, mas precisa ser reavaliada periodicamente. Às vezes, basta ajustar o treino, o volume, a intensidade ou a recuperação”, acrescenta.
O ponto mais importante, segundo a especialista, é que a mulher com lipedema que vai começar a se exercitar precisa de progressão. Caminhadas, exercícios na água e musculação leve tendem a ser opções mais adequadas no início porque ajudam a construir base muscular, melhorar circulação e reduzir sobrecarga sem exigir impacto elevado.
“Eu vejo muita mulher acreditar que precisa começar correndo porque quer emagrecer ou voltar rápido à forma. Mas, no lipedema, a pressa costuma cobrar um preço. O exercício certo é o que respeita o corpo e reduz sintomas, não o que aumenta a inflamação”, afirma a fisioterapeuta.
Peso nas pernas, dor ao fim da corrido ou sensação de inflamação exige que o programa de treino seja revisto por um especialista (Imagem: Svitlana Hulko | Shutterstock)
Peso nas pernas, dor ao fim da corrido ou sensação de inflamação exige que o programa de treino seja revisto por um especialista Crédito: Imagem: Svitlana Hulko | Shutterstock

Corrida pode fazer parte da rotina

Para a Dra. Mariana Milazzotto, a corrida não deve ser tratada como inimiga automática. Em pacientes já condicionadas, sem piora importante de dor ou edema e com acompanhamento profissional , ela pode continuar fazendo parte da rotina. O alerta é para a reavaliação contínua.
Se a corrida aumenta o peso nas pernas, a dor ao fim do treino ou a sensação de inflamação, o programa precisa ser revisto. Isso pode significar reduzir frequência, mudar intensidade, associar fortalecimento ou substituir parte do impacto por outras modalidades. A lógica é personalizar, não generalizar.
“Não existe uma regra única. O que existe é um corpo que precisa ser ouvido. Se a corrida piora os sintomas, a conduta muda. Se a paciente corre bem, sem piora clínica, o exercício pode ser mantido com acompanhamento”, resume.
Por Paulo Novais

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