O incêndio que atingiu o galpão do Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) destruiu todo o acervo físico que estava armazenado no local, composto por processos já arquivados, além de dezenas de objetos considerados inservíveis, como móveis, que estavam em fase de leilão.
“O arquivo foi todo queimado, assim como a parte do galpão onde estavam armazenados os bens inservíveis, já separados em lotes e com leilão publicado, infelizmente. A frustração com o que ocorreu e a dor é muito grande”, desabafou o juiz Anselmo Laghi Laranja, secretário Geral do Tribunal de Justiça.
Ele relata que todos os processos que estavam no local foram destruídos. Uma parte já havia sido digitalizada. “Desde o ano passado, os processos que eram trazidos para o galpão já estavam digitalizados. Mas havia um volume que ainda aguardava passar por esta etapa. Tudo foi destruído”, relata o magistrado.
Ele explica que, com a digitalização, foram preservados processos importantes, que em alguma circunstância podem vir a ser desarquivados. É o caso de processos que tratam dos temas de família e de órfãos e sucessões. “São processos sensíveis que foram preservados com a digitalização”, explicou Laranja.
Apesar da perda, ele garante que o funcionamento da Justiça não será afetado. “Foi uma perda importante, mas não haverá prejuízo ao funcionamento normal da Justiça no Espírito Santo”.
Bens inservíveis
Desde o mês de janeiro, segundo o magistrado, o Tribunal vinha realizando um mutirão de recolhimento e de seleção de todos os bens inservíveis nas sedes da Grande Vitória e de algumas cidades do interior.
O material, móveis e outros objetos, foram selecionados em lotes que estavam sendo leiloados. Parte do material que foi destruído nesta manhã, inclusive, já tinha sido vendido em leilão e faltava apenas ser retirado. Outra parte estava sendo preparada para ter o mesmo destino.
Reforma
Laranja relatou que o galpão havia passado por uma grande reforma e organização. O local estava recebendo processos e o material para leilão de unidades do interior do Estado. Tudo sendo triado para descarte.
Foram realizados mutirões de limpeza e reorganização do acervo, incluindo uma força-tarefa realizada em junho deste ano, voltada à manutenção e preservação das instalações.
Segundo o magistrado, em dezembro de 2025, durante o recesso, assim que a presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, assumiu, a instituição promoveu uma ampla ação de reorganização do Arquivo Geral. Como resultado desse trabalho, bens permanentes novos da instituição foram realocados e preservados, não sendo atingidos pelo incêndio.