A chegada da fábrica da Great Wall Motor (GWM) ao Espírito Santo vai transformar o Estado em uma plataforma de exportação de veículos de alta tecnologia para mercados internacionais.
Os carros produzidos na fábrica em Aracruz, litoral Norte do Estado, que teve investimento confirmado na terça-feira (30), durante evento no terreno onde será a unidade fabril, terão como foco tanto o mercado nacional como o abastecimento de países da América do Sul e da Europa. A planta de Aracruz está estrategicamente localizada próxima à zona portuária.
Um dos principais fatores para a escolha de Aracruz foi sua localização privilegiada. Segundo o diretor de relações institucionais da GWM no Brasil, Ricardo Bastos, a unidade fabril será construída a apenas 500 metros do porto (Portocel), o que confere uma vantagem logística imbatível para o escoamento da produção.
"O Brasil já tem um acordo com a União Europeia, então, ter um porto aqui é muito estratégico", afirmou Bastos, destacando que o Espírito Santo entregou a competitividade necessária para a decisão final.
A meta é que os veículos produzidos em solo capixaba acessem mercados do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, com benefícios fiscais. Para isso, a GWM buscará atingir o índice de conteúdo local necessário à isenção de impostos de importação, o que pode representar uma economia de até 35% em destinos como a Argentina.
A planta de Aracruz será significativamente maior do que a primeira unidade da marca, em Iracemápolis (SP). Enquanto a fábrica paulista produz cerca de 40 mil veículos por ano, a unidade capixaba nasce com uma capacidade inicial de 100 mil veículos anuais, podendo chegar a 200 mil em fases posteriores.
A previsão da GWM também é instalar, no complexo industrial, uma fábrica de baterias para veículos elétricos, a exemplo da produção na China.
Esse aumento de escala deve elevar o investimento total da GWM no Brasil para além dos R$ 10 bilhões originalmente anunciados em 2022. O complexo será do tipo "multienergia", preparado para produzir modelos elétricos, híbridos e até a combustão, conforme a demanda do mercado.
Segundo o diretor de produção global da GWM (CPO) Xiangjun Meng, a fábrica no Espírito Santo vai produzir veículos das linhas Ora e Haval.
A operação plena está prevista para o início de 2029, e o estágio de maturidade do projeto deve gerar até 9 mil empregos diretos. O investimento está na casa dos R$ 5 bilhões. Segundo Ricardo Bastos, o perfil dessas vagas é focado no trabalho intelectual e tecnológico, operando sistemas automatizados de eletrônica e programação.
Para garantir a excelência exigida pelo mercado internacional, a GWM e o Senai já planejam intercâmbios para especializar trabalhadores e professores brasileiros diretamente na China.