A instalação da nova fábrica da Great Wall Motor (GWM) em Aracruz, no Litoral Norte do Espírito Santo, vai gerar cerca de 9 mil empregos diretos para atuação na linha fabril dos carros elétricos e híbridos da marca. Para qualificar os profissionais, a empresa planeja levar parte da mão de obra que vai atuar no Espírito Santo para conhecer de perto a tecnologia da indústria na China.
A ideia do intercâmbio foi anunciada pela empresa durante o lançamento oficial do empreendimento, na terça-feira (30), no terreno onde será construída a unidade fabril.
A estratégia foi detalhada pelo CPO (Chief Product Officer) Global da GWM, Xiangjun Meng, que destacou a importância de ter pessoas preparadas para lidar com as inovações da marca. Ele é responsável pelo setor de desenvolvimento de produtos da companhia.
Segundo Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais da GWM no Brasil, a ideia é que esses profissionais possam se aprofundar o conhecimento chinês, que hoje lidera o setor de eletrificação global, para depois aplicarem esse conhecimento na planta de Aracruz.
Ele explica que a nova fábrica, que promete ser a mais tecnológica do país, não exigirá apenas força bruta, mas também competências intelectuais, respondendo ao perfil exigido pela indústria automotiva moderna.
Como as etapas mais severas de produção — como estamparia, pintura e soldagem — são altamente automatizadas, o papel humano se desloca para o controle de qualidade, programação e sistemas eletrônicos.
Embora a tecnologia seja avançada, a demanda por pessoas continua alta para monitorar os sistemas da fábrica, de acordo com Bastos.
Para sustentar o projeto, o governo do estado e a GWM já mobilizaram uma rede de ensino e capacitação. O plano de formação envolve a participação do Senai, Ifes e Ufes.
A planta de Aracruz será uma unidade de multienergia, fabricando veículos elétricos, híbridos e, possivelmente, a combustão, dependendo da demanda do mercado.
O investimento para a construção do complexo está na casa de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,20 bilhões), mas pode ser revisto para cima. A previsão é que o complexo também abrigue uma fábrica de baterias para os carros elétricos, a exemplo do que já é feito pela empresa na China.
Capacitação
Já Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), destaca que a qualificação da mão de obra para a GWM será um processo altamente especializado. Ele enfatiza que, embora o Estado já lide com grandes indústrias, o setor automobilístico de alta tecnologia exige um novo patamar de capacitação.
Além dos trabalhadores que serão contratados pela empresa, a proposta é também enviar professores do Senai para a China para aprenderem as tecnologias da GWM. Profissionais técnicos chineses também virão ao Espírito Santo para auxiliar no treinamento local.
A perspectiva é que o Senai adote uma metodologia de cursos personalizados para atender às necessidades exatas de conhecimento, ou seja, com turmas sendo preparadas com um currículo que corresponde à demanda tecnológica da fábrica.