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Agronegócio

Quase 3 mil fazendas do ES vendem café para gigante dos alimentos

A maior parte dessa produção de café capixaba pode ser encontrada em marca de café solúvel e outras categorias da multinacional, como cápsulas

Publicado em 18 de Junho de 2026 às 13:54

Leticia Orlandi

Publicado em 

18 jun 2026 às 13:54
Plantação de café da Fazenda Chapadão, em Linhares
Plantação de café da Fazenda Chapadão, em Linhares Divulgação/Nestlé

Maior produtor de café conilon no Brasil, o Espírito Santo tem parte da sua produção direcionada como matéria-prima para uma gigante do setor de alimentos. Quase 3 mil fazendas capixabas fornecem o grão para a multinacional suíça Nestlé, detentora das marcas Nescafé, Dolce Gusto e Starbucks.


E boa parte dos cafeicultores capixabas que fazem parceria com a marca adotam o cultivo com características sustentáveis. A prática é considerada atualmente essencial para aumentar a produtividade das lavouras e garantir a resiliência climática e a saúde do solo. 


O gerente de agricultura e cafés da Nestlé Brasil, Rodolfo Clímaco, afirma que, na cultura do conilon, são cerca de 2.800 fazendas com as quais a empresa tem parceria no Espírito Santo. Desse total, 1.700 lavouras – o equivalente a 60% – adotam práticas sustentáveis no cultivo do café, sendo integrantes do programa Nescafé Plan, que completa 15 anos em 2026. 


“A gente segrega as fazendas em níveis de regeneração, de conhecimento, e aplica práticas regenerativas de acordo com a necessidade de cada uma. Essas práticas têm que ser aplicadas de forma customizada a depender da operação de cada fazenda. A gente senta ao lado do produtor e conversa sobre a implementação adaptada às necessidades dele”, detalha.


Os dados foram apresentados pela Nestlé nesta semana durante uma visita realizada em Linhares, no Norte do Espírito Santo, com a presença de executivos globais da Nestlé e jornalistas e influenciadores internacionais do ramo do café.


Em relatório divulgado nesta quinta-feira (18), a empresa informou que 2025 passou a adquirir 53% de seu café verde de fazendas que adotam práticas de agricultura regenerativa. Em 2024, o número estava na casa dos 32%. 

Marcelo Burity, responsável pela área de desenvolvimento de cafés verdes na Nestlé global
Marcelo Burity, responsável pela área de desenvolvimento de cafés verdes na Nestlé global Divulgação/Nestlé

Marcelo Burity, responsável pela área de desenvolvimento de cafés verdes na Nestlé global, destacou que o futuro do café depende do cultivo sustentável, principalmente num momento em que as mudanças climáticas acabam afetando a produção. 


E a previsão do mercado é aumentar a demanda pela bebida em seus diversos formatos em 50% até 2040.


“Vamos precisar de ter 50% mais café sendo produzido para atender a demanda, mas não temos mais 50% de terra. Então, temos que melhorar a produtividade onde já é plantado”, destacou Burity.


Uma das fazendas participantes do programa de sustentabilidade da multinacional fica localizada em Linhares, no Norte do Espírito Santo, e foi apresentada como exemplo de modelo de operação avançada dentro dos planos de agricultura regenerativa do Nescafé Plan. A Fazenda Chapadão faz parte dessa iniciativa desde 2016.


A Fazenda Chapadão tem 310 hectares destinados ao café, além de 320 hectares para a pecuária. No total são 1,2 milhão de pés de café conilon plantados, muito acima da média das fazendas participantes do programa da Nestlé, que é de 133 mil pés.


No Espírito Santo, segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o tamanho médio das lavouras é de 8 hectares, muitas vezes conduzidas pela agricultura familiar. 


Para Eduardo Bortolini, que está à frente da fazenda desde 1999 e na 24ª safra de café na propriedade, a parceria teve um papel na virada de chave organizacional.  

Eduardo Bortolini destaca virada de chave organizacional da Fazenda Chapadão após parceria com a Nestlé Divulgação

O ponto de partida para essa evolução foi a implementação da certificação 4C, que trouxe o início de uma mudança profunda na gestão e, principalmente, na cultura dos colaboradores, permitindo que as práticas sustentáveis passassem a ser aceitas e aplicadas por toda a base da fazenda.


Eduardo destaca que o suporte técnico permitiu corrigir manejos do passado, como o uso da palha de café apenas para secagem. Atualmente, esse resíduo é a base de um sistema de compostagem orgânica e uso de biológicos que regeneram o solo e tornam a lavoura mais resiliente.


Entre as práticas adotadas na fazenda atualmente está o manejo da água, com tecnologia para aplicar às árvores somente o necessário no momento de acordo com as condições do tempo. Além disso, há a nutrição adequada do solo, o controle biológico com cobertura de culturas e também espécies inimigas naturais para reduzir a dependência de pesticidas. 


Existe ainda aplicação de tecnologia com uso de drones, por exemplo, e uma máquina colhedora de café automatizada.


*A reportagem viajou a convite da Nescafé

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