No caminho para se consolidar como um hub logístico tecnológico, o Espírito Santo pode ter o Porto de Barcelona como principal inspiração para integrar infraestrutura tradicional a um ecossistema de inovação de ponta.
A avaliação é do professor Javier Sánchez Casademunt, que há mais de 20 anos atua com internacionalização e atração de investimentos e também é consultor no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Ele está no Espírito Santo nesta semana para ministrar um workshop que está sendo promovido pela Nova ES, agência estadual de atração de investimentos. O tema do encontro é a preparação para atrair importantes investimentos internacionais, capazes de manter o Estado competitivo, principalmente no contexto da reforma tributária.
Para Casademunt, o modelo do Porto de Barcelona pode ser a principal inspiração para o modelo do hub logístico capixaba, principalmente por integrar infraestrutura tradicional a um ecossistema de inovação de ponta.
“No Porto de Barcelona, temos um organismo muito tradicional, mas que está potencializado com tecnologia, com um ecossistema de inovação muito forte. Esse modelo poderia ser perfeitamente reaplicável aqui”, opina.
Para isso, o consultor diz que vai trabalhar tanto para trazer profissionais de Barcelona para conhecer o Espírito Santo como levar representantes capixabas para eventos europeus de tecnologia e cidades inteligentes.
“Tenho contato direto com o diretor-geral do Porto de Barcelona, que também é presidente da Associação Mundial de Portos. Quero trazê-lo para conectar com a Nova ES e também estabelecer parcerias entre Vitória e Barcelona”, afirma.
Além disso, o trabalho de Casademunt no Estado passa pela criação de uma prateleira de projetos detalhados para atrair capital estrangeiro para as regiões capixabas de acordo com as vocações e com o que já está inserido na economia local, para potenciar o desenvolvimento.
A partir desse trabalho, ele já vislumbra que, no próximo ano, o Espírito Santo deve assinar importantes memorandos de entendimento (MoUs) com empresas avançadas.
Os investimentos que podem vir em maior velocidade, segundo o consultor, nas áreas de biomassa, tecnologia e inovação, com data centers voltados para inteligência artificial (IA), e ainda setores de energias renováveis e ecossistemas de logística.
ES referência na promoção digital
Para Casademunt, o Espírito Santo já superou o modelo antigo de atração de investimentos e está pronto para buscar resultados por ter uma plataforma digital e um ecossistema de inovação integrado. "É o estado que está agindo de maneira mais digital para atrair investimentos", afirma o consultor.
Ele explica que, enquanto outras regiões ainda dependem excessivamente de feiras físicas, o Estado capixaba utiliza estratégias de presença online, SEO e o LinkedIn de forma intensiva para alcançar diretamente os tomadores de decisão e gerar contatos qualificados.
Esse e outros assuntos estão sendo abordados no Workshop Avançado de Atração de Investimentos do programa Investe Mais Estados, promovido pela Nova ES até sexta-feira (19), no Centro Cultural Sesi, em Jardim da Penha, Vitória.
O evento tem parceria com ApexBrasil, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes).
Desenvolvimento de projetos
Christiane Menezes, gerente de Inteligência e Negócios da Nova ES, destacou que a agência trabalha intensamente na organização de uma prateleira de projetos para facilitar a decisão de grandes investidores e fundos de investimento.
O objetivo central, segundo ela, é reunir e priorizar projetos que antes estavam dispersos, transformando-os em uma cartela de produtos estruturada, incluindo valores e localizações específicas.
Essa metodologia visa reduzir a burocracia e oferecer segurança para quem busca investir em segmentos como infraestrutura ou no mercado imobiliário.
A construção desse portfólio é realizada em colaboração com federações e municípios, como Linhares e Aracruz, respeitando sempre as vocações regionais de cada área do Estado.
Christiane explica que a agência atua como o caminho principal para o investidor, monitorando o processo desde a sondagem inicial até a implantação final do projeto, como já ocorre no caso da montadora GWM, em Aracruz.
Esse esforço de coordenação estratégica entre os setores público e privado garante que as operações sejam realizadas no menor tempo possível, colocando o Espírito Santo em uma posição de destaque na atração de negócios.
Quanto às perspectivas de novos investimentos, Christiane aponta uma forte tendência na chegada de empresas de tecnologia e inovação. Ela vislumbra, inclusive, o desenvolvimento de um polo automobilístico no Estado, impulsionado pela presença da GWM e pelo interesse de fornecedores que desejam se instalar na região para atender a essa cadeia produtiva.
A expectativa é de que esse trabalho de mapeamento e a troca de experiências gerem novidades em breve, atraindo projetos que demandam alta tecnologia e contribuem para a modernização da economia capixaba.