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Opinião da Gazeta

Um novo destino para o Trem das Montanhas Capixabas

O Espírito Santo merece esse passeio, que passa por uma região encantadora demais para ser ignorada, a rota do agroturismo capixaba

Publicado em 16 de Junho de 2026 às 05:00

Públicado em 

16 jun 2026 às 05:00
Redação de A Gazeta

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Redação de A Gazeta

Trem das montanhas
Trem das montanhas Arquivo/AG

Mais do que voltar a falar de turismo e da relevância de iniciativas para promover o desenvolvimento sustentável do setor no Espírito Santo, quando se fala da retomada do Trem das Montanhas é preciso também dosar as expectativas. 


Ao mesmo tempo que vale colocar o otimismo em campo, afinal se trata de um incontestável atrativo para a região, também é preciso lembrar que, no início da década passada, entre 2010 e 2014, o passeio ferroviário que chegou a percorrer cerca de 50 quilômetros, entre a Estação Ferroviária de Viana e a de Araguaia, em Marechal Floriano, acabou descontinuado. 


A notícia mais recente é positiva: uma etapa importante para concretizar o retorno está sendo superada com a informação, passada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, de que a cessão da antiga Ferrovia Leopoldina ao governo do Espírito Santo deverá ser formalizada ainda em junho. Assim, haverá autonomia para reativar a rota.


O prefeito de Viana, Wanderson Bueno, se reuniu no ano passado com os prefeitos das demais cidades percorridas pela ferrovia para articular, com o governo estadual, a retomada com a mesma operadora que atuou entre 2010 e 2014, a Serra Verde Express. Trata-se da mesma empresa que faz a operação do famoso passeio Curitiba - Morretes, no Paraná.


Em entrevista à CBN Vitória, o prefeito Wanderson já disse que o problema no passado não foi a demanda, pois os passeios tinham alta ocupação. O que acontece é que, na época, o trecho era ainda usado para transporte de cargas, e por isso havia manutenções períódicas da linha férrea, mas houve redução progressiva desse uso até a paralisação total, em 2017.


É imprescindível que essa questão de infraestrutura seja sanada para que a rota seja economicamente viável. Sem a VLI como concessionária, os atores locais devem articular recursos para garantir a circulação do trem. Além disso, os custos operacionais e os preços pagos pelo consumidor precisam ser bem planejados. 


O Espírito Santo merece esse Trem das Montanhas, que passa por uma região encantadora demais para ser ignorada, a rota do agroturismo capixaba, repleta de belezas naturais. É importante ver prefeitos tão engajados, mas cada passo deve ser dado com estratégia e organização, para que o empreendimento seja viável e perene. Assim, esse trem tão charmoso poderá ter um novo destino.

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