Conhecer o perfil das vítimas de acidentes de trânsito e outros dados referentes a essas ocorrências é estratégia essencial para uma reação organizada no enfrentamento dessa violência que já há alguns anos provoca mais mortes do que os homicídios no Espírito Santo.
Os levantamentos feitos pela Polícia Científica do Espírito Santo, que lançou dois painéis com dados inéditos sobre mortes no trânsito no Estado, são uma documentação preciosa, que precisa chegar às mãos certas: das autoridades do Executivo às do Legislativo, de forma a estrututurar políticas públicas mais certeiras, para salvar vidas no trânsito.
Com esses dados, sabe-se que as motocicletas estão envolvidas na maioria dos sinistros com mortes (no ano de 2025), e a partir daí buscar soluções conjuntas, inclusive pressionando Brasília, para esse veículo que é parte de transformações que estão mudando a cara do trânsito, com o crescimento do transporte por aplicativo e do delivery.
Acompanhar as mudanças com lupa, como o avanço de bicicletas elétricas e autopropelidos, passou a ser mandatório, e as estatísticas precisam também trazer respostas sobre essas novas modalidades de locomoção urbana.
Assim como é possível cruzar informações sobre os locais com mais incidência de acidentes, os dias da semana com mais registros, e com esse mapeamento tomar as melhores decisões de medidas preventivas.
Outro ponto relevante tem relação com o consumo de álcool e outras substâncias pelos condutores: são pontos que podem mostrar possíveis falhas na fiscalização e estimular a organização de blitze em locais e horários mais estratégicos.
O trânsito se transformou em um campo de batalha, no qual todos acham que estão certos e poucos têm a consciência do próprio papel. Essas informações disponibilizadas nos painéis periciais são uma ferramenta que ajuda na compreensão da dinâmica dos acidentes e, mais que um olhar para o que já aconteceu e não pode ser mudado, precisa ser uma visão de futuro.
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