O Centro de Vitória vive uma dualidade permanente nos últimos anos: enquanto ainda pulsa com atrações culturais e de lazer que conseguem aproximar as pessoas de todas as partes da Grande Vitória, também presencia certo abandono, com prédios comerciais e residenciais vazios ou subutilizados. Um esvaziamento perceptível em algumas localizações.
O que ainda falta é equacionar esses cenários, com um readensamento que atraia mais moradores, empresas e o próprio poder público para a região. Em 2022, a lei do retrofit chegou com a promessa de revitalizar construções antigas para adaptá-las às necessidades atuais, modernizando os prédios sem descaracterizá-los de seus elementos originais. O estímulo: a isenção de pagamento do IPTU.
Foi um passo importante por proporcionar a abertura de novas possibilidades para o Centro, embora os avanços ainda não sejam perceptíveis.
Agora, a Prefeitura de Vitória estuda facilitar o processo de transferência de potencial construtivo, um instrumento urbanístico já existente, mas considerado burocrático. O potencial construtivo é o limite máximo em que é permitido construir em um terreno.
Com a transferência, quem não usa a totalidade permitida pode vendê-la para projetos em outras áreas. A expectativa, assim, é atrair mais investimentos comerciais e habitacionais e, consequentemente, mais gente para o Centro.
É mais uma oportunidade de construir uma nova dinâmica econômica, mas também são planos que precisam ser discutidos e avaliados com a sociedade no que diz respeito principalmente aos impactos urbanos, tanto no aspecto do patrimônio histórico quanto no da vida dos moradores.
Reorganizar a ocupação do Centro de Vitória, aproveitando melhor os espaços urbanos, é uma saída inteligente e necessária. Mas só vai funcionar se conseguir aliar a melhoria da qualidade de vida de quem já vive e trabalha lá à daqueles que chegarão, sem construir disparidades.
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