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Opinião da Gazeta

Família morta na BR 101: agilidade da Justiça não pode faltar desta vez

Caso ocorrido no ano passado lembra outro mais antigo, em que membros da mesma família foram mortos, e levou dez anos para chegar ao tribunal

Publicado em 22 de Junho de 2026 às 05:00

Públicado em 

22 jun 2026 às 05:00
Redação de A Gazeta

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Redação de A Gazeta

Colisão envolvendo quatro carros mata quatro pessoas na BR-101, em Jaguaré, em dezembro de 2025
Colisão envolvendo quatro carros mata quatro pessoas na BR-101, em Jaguaré, em dezembro de 2025 Reprodução/Leitor

Impossível não se lembrar do caso Dondoni, uma das tragédias automobilísticas mais emblemáticas do Espírito Santo não só pela comoção causada pela morte de uma família na BR 101 — apenas o pai sobreviveu — como pela demora de se chegar ao julgamento do réu, que dirigia uma caminhonete e estava alcoolizado. 


Foram dez anos entre a data do acidente, em 2008, e a do primeiro julgamento, em 2018, um incontestável caso de demora da Justiça. Houve condenação tanto na ocasião quanto nos recursos posteriores.


É essa demora de se ter uma decisão judicial, condenando ou absolvendo o réu, que não pode se repetir em um caso mais recente, bastante parecido com aquele de 2008: no ano passado, na véspera do Natal, uma família inteira foi morta também na BR 101 após o veículo em que estava ser atingido por uma caminhonete e arremessado contra outros dois carros. O motorista da caminhonete estaria embriagado e abandonou o local.


A prisão, enfim, aconteceu na semana passada, quando ele foi encontrado em um ônibus de turismo, com destino a São Paulo. O motorista foi denunciado quatro vezes por homicídio simples com dolo eventual. A investigação da Polícia Civil  constatou que ele trafegava a uma velocidade de 143 km/h, bem acima do limite de 60 km/h da via. Devido à embriaguez, ao excesso de velocidade e à fuga do local, o condutor assumiu o risco de morte.

Crimes de trânsito com tamanha gravidade precisam de desfecho rápido, não somente com celeridade investigativa quanto processual. O problema está exposto: desde 2024, há mais mortes trânsito no Espírito Santo do que homicídios, vivemos uma epidemia dessa violência. Com o comportamento mais prudente e o cumprimento das leis, a situação seria bem menos assustadora.

A aplicação da lei é o que garante a Justiça e reduz a sensação de impunidade. A punição tem um efeito pedagógico, atua como freio para crimes de trânsito e limita quem insiste em agir de forma irresponsável atrás do volante. Mas para ter efeito também precisa ser célere, com todas as garatias e o direito à ampla defesa. Com se diz, a Justiça que tarda também falha.


O que se espera é que, apesar de terem tantas coisas em comum, esses dois casos se diferenciem nesse aspecto. Outro crime de trânsito não pode demorar tanto tempo a ter uma conclusão nos tribunais.


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