O recuo histórico na criminalidade letal, que atingiu o menor patamar desde 1996, tem evidenciado uma outra tragédia no Espírito Santo. No primeiro semestre deste ano, o número de pessoas que perderam a vida nas estradas (496) superou em mais de 37% o total de vítimas de assassinatos e feminicídios (361).
Os dados abaixo relativos ao primeiro semestre, obtidos no Observatório da Segurança Pública, mostram que a virada ocorreu em 2024, ano em que a violência nas estradas se tornou ainda mais letal. Uma diferença que vem crescendo. Partiu de 5,67% e já alcançou 37,4%.
Os números mostram um crescimento contínuo das mortes nas estradas, no período analisado, desde 2020, quando o estado registrou 324 vítimas. O total atual, de 496 mortes no primeiro semestre de 2026, é o maior de toda a série apresentada, superando inclusive o índice de 2017 (455 mortes), que era o teto anterior.
Geografia da Letalidade
Um dado que chama a atenção é que a liderança entre as onze cidades que registraram acima de dez mortes em acidentes, ficou com as localizadas no interior. Confira:
Linhares - 37
Cachoeiro de Itapemirim - 27
Colatina - 27
Serra - 26
Cariacica - 25
Vila Velha - 24
São Mateus - 22 mortes
Aracruz - 20
Conceição da Barra - 14
Guarapari - 12
Vitória - 12
Vale destacar que os números podem ser ainda maiores nestes municípios e em outros, uma vez que em 24 casos não foi possível identificar as cidades onde os acidentes aconteceram.
A coluna já registrou que o Estado contabilizou mais de 738 mil infrações de trânsito de janeiro até a manhã do último dia 28 e quase metade dos casos de desrespeito as leis (356.748) corresponde a situações de natureza grave ou gravíssima.
Prioridade
Para o advogado especialista em Direito no Trânsito e especialista em segurança pública, Fábio Marçal, os dados demonstram que a violência no trânsito precisa ser tratada com a mesma prioridade dedicada ao enfrentamento dos homicídios.
Destaca que o Estado enfrenta um problema que vai além de uma questão de trânsito, mas que tem consequências na mobilidade urbana e saúde pública e que demanda uma atuação conjunta de todos os segmentos.
“Preservar vidas exige uma atuação integrada entre os municípios, o Estado e a União. Não basta cada ente agir de forma isolada. É necessária uma política pública coordenada, capaz de reduzir essas mortes que causam indignação."