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Vilmara Fernandes

Justiça nega soltura de acusado de matar família em acidente na BR 101

O empresário Sérgio Bassini Masioli foi preso no dia 18 de junho em um ônibus de turismo que seguia para São Paulo

Publicado em 02 de Julho de 2026 às 03:30

Públicado em 

02 jul 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Família morta acidente BR101 Jaguaré Norte ES
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

O pedido de soltura do empresário Sérgio Bassini Masioli foi negado pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Ele é acusado de matar uma família e ferir outras três pessoas em um acidente na BR 101, em Jaguaré, Norte do Espírito Santo. Após a colisão, ocorrida na véspera do Natal de 2025, ele abandonou o veículo sem prestar socorro às vítimas, que morreram no local.


A decisão liminar foi do desembargador Luiz Guilherme Risso. Após analisar os argumentos apresentados e a narrativa dos fatos, avaliou que não havia condições para aprovar o pedido de soltura, proposto com urgência pela defesa.  Ainda está sendo aguardado o julgamento definitivo do caso.


O processo, mesmo com a investigação finalizada, segue sob segredo da Justiça. O que fez com que o advogado do empresário, Paulo Braga, não se manifestasse sobre a decisão. 


Bassini foi detido no último dia 18 em uma ação da Polícia Civil, capitaneada pelo titular da Delegacia de Jaguaré, Erick Esteves, que conduziu as investigações do caso, e pelo delegado Leandro Esperandio. Eles cumpriram mandado de prisão preventiva que havia sido expedido pelo Juízo da Vara Única de Jaguaré. 


O empresário tentava deixar o Espírito Santo quando foi localizado em um ônibus de turismo com destino a São Paulo. O veículo foi interceptado em Carapina, na Serra, próximo a um hospital particular. Como a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual (MPES) já foi aceita pela Justiça, ele se tornou réu na ação penal. 


Desrespeito


Em sua decisão, o desembargador apontou a gravidade do caso para manter a prisão, considerando a colisão que matou quatro pessoas e feriu outros três ocupantes de outros veículos. Risso assinalou que o empresário responde pelos crimes de dolo eventual (assumiu o risco de matar), embriaguez ao volante, omissão de socorro e fuga do local do acidente.


“A revelação, por meio de extração de diálogos familiares, de que o paciente já possuía histórico de acidentes e uso abusivo de álcool (com recusa a tratamento) não constitui mera "ilação informal", mas indício real de contumácia comportamental, o que torna imperiosa a segregação para evitar a reiteração delitiva e acautelar a ordem pública”, é dito na decisão.


O documento aponta ainda que o réu manteve contato com testemunhas. Em alguns casos, segundo o delegado que conduziu a investigação, houve relato de que aos feridos no acidente foi oferecido o custeio das despesas médicas. 


Também foi informado que Bassini retornou ao local do acidente para buscar uma suposta arma. “O retorno à cena de um crime de trânsito com múltiplas vítimas fatais, não para  prestar socorro (conduta da qual o paciente fugiu), mas para tentar resgatar objetos pessoais de interesse à investigação, aliado ao contato extrajudicial com testemunhas, evidencia risco premente de conturbação da instrução processual, legitimando a necessidade de isolamento cautelar do denunciado”. 


Por último, o desembargador destacou que medidas diferentes da prisão seriam insuficientes no caso de Bassini. “Frente a um paciente que, em tese, causou um sinistro com 04 (quatro) mortes, omitiu socorro, fugiu do local, buscou alterar a cena do crime recuperando objetos e tentou contato com testemunhas, medidas como o monitoramento eletrônico, suspensão da CNH ou recolhimento noturno mostram-se absolutamente inócuas”.


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Tragédia


No acidente morreram quatro pessoas: o advogado Denis Carlos Rolim, 43 anos, que conduzia o Fiat Palio, a esposa Valdenice Alves de Oliveira, 39 anos, e as filhas Débora Vitória Alves Rolim, de 10 anos, e Sara Cristina Alves Rolim, de 7 anos. Outros dois veículos foram atingidos, deixando três vítimas com lesões. (veja vídeo abaixo)


Para o advogado Fábio Marçal, que representa a família do advogado morto no acidente, a prisão do motorista foi uma resposta para a sociedade.


“A sociedade já não tolera comportamentos desta natureza, com desprezo pela vida humana. Quero parabenizar o trabalho firme da Polícia Civil em relação a um caso que não pode ser tratado como um simples acidente de trânsito. Uma atuação firme pode ajudar a reduzir a incidência de mortes no trânsito, situação que está alarmante”, assinalou.


Alta velocidade


A conclusão das investigações foi de que Bassini trafegava a uma velocidade extrema aferida em 143 km/h, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de apenas 60 km/h. O acidente que resultou nas mortes ocorreu por volta da 00h, no km 95 da Rodovia BR-101, localidade de Água Limpa, no município de Jaguaré.


A caminhonete colidiu contra a traseira do um Fiat Pálio da família, que trafegava de maneira regular, projetando-o para a faixa contrária e causando colisões sucessivas com outros dois automóveis (um Chevrolet Cruze e um Toyota Corolla).


Segundo as investigações, após provocar o sinistro, o motorista fugiu do local a pé, sem prestar socorro às vítimas ou identificar-se perante as autoridades.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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