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José Carlos Corrêa

Os canarinhos que curto da minha janela

Eu me lembro do escândalo e do vexame que foi o roubo da Taça Jules Rimet, em 1983, quando ela estava exposta na sede da CBF

Publicado em 03 de Julho de 2026 às 04:45

Públicado em 

03 jul 2026 às 04:45
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Da minha janela vejo o show que a meninada do Sesi de Jardim da Penha me traz todos os dias na hora do recreio. É uma alegria generalizada e contagiante, linda de se ver, recheada de brincadeiras e dos gritos próprios da infância e tão autêntica na espontaneidade sempre presente nas crianças. 


O espetáculo me faz lembrar da minha netinha que, ao ser perguntada sobre a aula que ela mais gostava na escola, respondeu sem hesitar: “O recreio”.


Esse recreio da criançada é que está mais colorido do que nunca nesta época de Copa do Mundo. O tradicional uniforme de aula é substituído, principalmente nos dias de jogos do Brasil, pelo verde-amarelo-azul-e-branco, com predominância das blusas amarelinhas que transformam as crianças em centenas de canarinhos que não se cansam de correr, pular e brincar, numa festa interminável que torna o recreio ainda mais bonito e prazeroso de se ver.

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É bonito também passar pelas ruas decoradas de verde-amarelo, com grafites cada vez mais caprichados lembrando a cada momento o clima de festa que cerca os jogos da Seleção Brasileira. É bom ver o sentimento de brasilidade sendo expressado de maneira tão espontânea pelo povo, com as cores da bandeira brasileira abraçadas por todos, sem qualquer divisão político-ideológica.


O clima da Copa nos leva a recordar as conquistas do nosso futebol no passado, desde a taça Jules Rimet levantada por Bellini em 1958. Para quem não se lembra, o francês Rimet foi o criador da Copa do Mundo durante o período em que exerceu a presidência da Fifa. 


A taça que levava o seu nome representava Nice, a deusa grega da vitória. O campeão da copa ficava com a taça que era passada ao campeão da copa seguinte, o que continuou ocorrendo até 1970, quando o Brasil conquistou o direito de ficar definitivamente com o troféu por ter se sagrado tricampeão.


Eu me lembro do escândalo e do vexame que foi o roubo da Taça Jules Rimet, em 1983, quando ela estava exposta na sede da CBF, no Rio. Mas não me recordava que ela tinha desaparecido antes, em 1966, em Londres e que tinha sido achada, dias depois, embrulhada em jornais e escondida em um arbusto, graças à ajuda do cachorro Pickles que, acompanhado por seu dono, farejou o troféu.

Pelé é campeão da Copa do Mundo de 1958, na Suécia
Pelé (ao centro) segura a Taça Jules Rimet na conquista da Copa do Mundo de 1958 Reprodução

As lembranças do passado me remetem também ao período em que os jogos de futebol eram narrados pelos “speakers”, nas rádios, com o uso de termos em inglês como “corner” (escanteio), “offside” (impedimento), “match” (jogo), “score” (placar), “back” (zagueiro), “center half” (zagueiro central) e “center-forward” (centroavante). 


Até as distâncias eram informadas em jardas – e não em metros – porque, afinal de contas, o futebol é o esporte bretão, com suas raízes ficadas na Grã-Bretanha, of course.


Pois foi assim, pelas ondas do rádio – ondas muitas vezes fugidias que desapareciam misteriosamente no ar – que acompanhamos as copas até 1970, quando, pela primeira vez, a TV transmitiu os jogos ao vivo. Confesso que, por algum tempo, apaixonado que era pelas transmissões do rádio, preferia assistir aos jogos na TV com o rádio ligado ao meu lado.


É bom voltar a ver o clima festivo nas ruas em torno dos jogos da Seleção Brasileira, como o que ocorrerá no próximo domingo. Vamos então aproveitar essa época boa, de união e de torcida por mais uma conquista. 


E aproveitar também, por que não?, o espetáculo das crianças-canarinhos na hora do recreio que tenho o privilégio de assistir e curtir todos os dias da janela do meu apartamento.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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