A declaração de apoio do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República pode até não surpreender do ponto de vista ideológico. Pazolini é um político de centro-direita. Seria inusitado se ele endossasse, por exemplo, a reeleição do presidente Lula (PT).
Mas considerando o perfil low profile e o histórico do ex-prefeito, o apoio ao filho de Jair Bolsonaro é, sim, um ponto fora da curva. Em pleitos passados, Pazolini não declarou voto a ninguém na disputa pelo Palácio do Planalto.
Em 2022, por exemplo, o Republicanos estava na coligação de Bolsonaro, mas o então prefeito da Capital não pediu para os eleitores votarem no então presidente. Tal postura rendeu a Pazolini a pecha de alguém que fica "em cima do muro".
Agora, enquanto o próprio partido indica que deve ficar neutro na disputa presidencial, o ex-prefeito se adiantou e subiu no palanque de Flávio.
O que mudou?
Primeiramente, é preciso ressaltar que esta é a primeira vez que Pazolini é pré-candidato ao governo do Espírito Santo. Até o momento, ele conta apenas com o apoio do PSD do ex-governador Paulo Hartung e precisa de mais aliados.
Está em vias de fechar uma aliança com o PL, presidido, no estado, pelo senador Magno Malta.
O caminho para a parceria está pavimentado, mas sofreu um percalço: o presidente nacional do Republicanos, partido de Pazolini, afirmou no domingo (12) que não selou apoio a Flávio e, provavelmente, não o fará.
Ao ser mais realista que o rei, ou mais bolsonarista que o próprio partido, o ex-prefeito aumenta as chances de uma aliança estadual entre Republicanos e PL.
E também agrada aos eleitores mais à direita. Ao mesmo tempo em que corre o risco de contrariar aqueles que aprovavam a postura mais branda até então adotada em relação à política nacional.
Nos bastidores, as negociações entre PL e Republicanos no estado envolvem vaga de vice e de candidatos ao Senado, mas também é relevante a disposição de Pazolini para fazer campanha para o filho de Jair Bolsonaro.
+ colunas de Letícia Gonçalves