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Letícia Gonçalves

O que Pazolini ganha ao apoiar Flávio Bolsonaro

Ex-prefeito de Vitória é pré-candidato a governador do ES e foi "mais realista que o rei" ao endossar Flávio enquanto o Republicanos indica neutralidade

Publicado em 13 de Julho de 2026 às 16:44

Públicado em 

13 jul 2026 às 16:44
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

flavio bolsonaro e lorenzo pazolini
Flávio bolsonaro e Lorenzo Pazolini Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado e Carlos Alberto Silva

A declaração de apoio do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República pode até não surpreender do ponto de vista ideológico. Pazolini é um político de centro-direita. Seria inusitado se ele endossasse, por exemplo, a reeleição do presidente Lula (PT). 


Mas considerando o perfil low profile e o histórico do ex-prefeito, o apoio ao filho de Jair Bolsonaro é, sim, um ponto fora da curva. Em pleitos passados, Pazolini não declarou voto a ninguém na disputa pelo Palácio do Planalto.


Em 2022, por exemplo, o Republicanos estava na coligação de Bolsonaro, mas o então prefeito da Capital não pediu para os eleitores votarem no então presidente. Tal postura rendeu a Pazolini a pecha de alguém que fica "em cima do muro".


Agora, enquanto o próprio partido indica que deve ficar neutro na disputa presidencial, o ex-prefeito se adiantou e subiu no palanque de Flávio.


O que mudou?


Primeiramente, é preciso ressaltar que esta é a primeira vez que Pazolini é pré-candidato ao governo do Espírito Santo. Até o momento, ele conta apenas com o apoio do PSD do ex-governador Paulo Hartung e precisa de mais aliados.


Está em vias de fechar uma aliança com o PL, presidido, no estado, pelo senador Magno Malta. 


O caminho para a parceria está pavimentado, mas sofreu um percalço: o presidente nacional do Republicanos, partido de Pazolini, afirmou no domingo (12) que não selou apoio a Flávio e, provavelmente, não o fará.


Ao ser mais realista que o rei, ou mais bolsonarista que o próprio partido, o ex-prefeito aumenta as chances de uma aliança estadual entre Republicanos e PL.


E também agrada aos eleitores mais à direita. Ao mesmo tempo em que corre o risco de contrariar aqueles que aprovavam a postura mais branda até então adotada em relação à política nacional.


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O presidente estadual da sigla de Flávio Bolsonaro, Magno Malta, por sua vez, avalizou nota assinada pelo coordenador da campanha do presidenciável, Rogério Marinho. Na nota, Marinho ressaltou que "PL e Republicanos poderão caminhar juntos nos palanques regionais".

Nos bastidores, as negociações entre  PL e Republicanos no estado envolvem vaga de vice e de candidatos ao Senado, mas também é relevante a disposição de Pazolini para fazer campanha para o filho de Jair Bolsonaro.

O PL poderia lançar candidato próprio ao governo se não tivesse ninguém para pedir votos em prol de Flávio no estado. Maguinha Malta, filha de Magno e pré-candidata ao Senado, certamente faria esse papel, mas ter um candidato ao Palácio Anchieta na função dá maior visibilidade à causa.

Ainda não se sabe se o PL vai conseguir emplacar na vice de Pazolini, mas certamente uma das vagas de candidatos ao Senado na chapa do ex-prefeito vai ficar com Maguinha se o Partido Liberal integrar a coligação.

Em troca, Pazolini ganharia mais tempo de exibição no horário eleitoral, verba para fazer campanha (o PL tem uma grande fatia do fundo eleitoral) e potenciais cabos eleitorais, já que candidatos a deputado estadual e federal do PL devem pedir votos aos eleitores para o ex-prefeito também.

Só falta agora ver como Pazolini e seu principal articulador, o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, pretendem se equilibrar entre Magno e o PSD de Hartung.

O ex-governador já deu declarações públicas de apoio ao ex-prefeito e o partido, presidido pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, tenta ficar com a vaga de vice de Pazolini. 

As especulações apontam para a esposa de Renzo, Lívia Vasconcelos, ou para o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, embora este já tenha dito à coluna que não vai se candidatar a nenhum cargo em 2026. 

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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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