A ideia de lançar o deputado federal Helder Salomão como candidato ao governo do Espírito Santo está consolidada no PT há tempos, mas a pré-candidatura do parlamentar foi lançada oficialmente pela sigla no último sábado (4), em Cariacica.
Ao menos desde novembro, o petista percorre municípios capixabas e trabalha na elaboração de um plano de governo, mas ainda patina nas pesquisas de intenção de voto.
Uma das estratégias para engrenar na corrida ficou evidente no evento: Helder quer convencer o eleitorado de que seus principais adversários, o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), são "iguais" ou "muito parecidos".
"Do lado de lá, você tem o atual governador que, quando teve a oportunidade histórica de fazer para os trabalhadores brasileiros, fez um relatório da reforma trabalhista para retirar direitos dos trabalhadores brasileiros e capixabas", discursou o deputado para uma plateia de apoiadores que respondeu com gritos de "Fora, Ferraço!"
Em seguida, Helder completou:
"O ex-prefeito de Vitória, quando teve a oportunidade de melhorar a vida dos servidores, convocou uma sessão extraordinária com cinco dias de mandato para aprovar a reforma da previdência mais perversa da história de Vitória".
E o público entoou "Fora, Pazolini!".
Em entrevista exclusiva à coluna, Helder reafirmou a intenção de mostrar que Pazolini e Ricardo "são muito parecidos".
O PT fez parte da gestão de Renato Casagrande (PSB), que também era integrada por Ricardo, como vice-governador.
Os petistas, entretanto, entregaram os cargos de indicação política que ocupavam na administração quando o emedebista passou a comandar o Palácio Anchieta, no início de abril.
"O atual governador nem sequer vai conseguir manter aquilo que fez o ex-governador Renato Casagrande. Já existem retrocessos acontecendo no atual governo", disparou Helder.
"Um exemplo é aquela mudança da mesa de conflitos para segurança pública", lembrou o deputado federal.
"Pessoa se trata com diálogo e não com polícia. A polícia é para fazer a repressão da violência, do crime. Mas quando a gente trata com pessoas é por meio do diálogo. É um modelo de gestão que não prima pela participação social. Nesse aspecto, eles (Pazolini e Ricardo) são muito parecidos, muito, muito parecidos".
Pesquisa Quaest realizada em abril mostrou que Helder tem entre 8% e 10% das intenções de voto em cenários estimulados (quando os nomes dos candidatos são informados aos eleitores).
O objetivo dele é chegar a 30% até o dia do pleito e ir para o segundo turno.
Além do mote local, de comparação com os adversários, Helder vai atrelar a campanha ao presidente Lula, pré-candidato à reeleição.
Desde o início da pré-campanha, o deputado se apresenta como membro do "Time do Lula".
No sábado, isso foi reforçado em peças de áudio e vídeo, ao lado do senador Fabiano Contarato (PT), pré-candidato à reeleição.
"A cada dia mais gente sabe que eu sou pré-candidato e que sou o pré-candidato do presidente Lula. O presidente Lula vai ter, no primeiro turno, no Espírito Santo algo em torno de 40%, 42% dos votos. E nós vamos trabalhar para eu chegar aos 30%".