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Letícia Gonçalves

Helder Salomão: "Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço são muito parecidos"

Deputado federal do PT foi lançado oficialmente pré-candidato ao governo do ES

Publicado em 06 de Julho de 2026 às 08:40

Públicado em 

06 jul 2026 às 08:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Lançamento das pré-candidaturas de Helder Salomão e Fabiano Contarato, em Cariacica
Lançamento das pré-candidaturas de Helder Salomão e Fabiano Contarato, em Cariacica Luciana Castro/Divulgação
A ideia de lançar o deputado federal Helder Salomão como candidato ao governo do Espírito Santo está consolidada no PT há tempos, mas a pré-candidatura do parlamentar foi lançada oficialmente pela sigla no último sábado (4), em Cariacica.

Ao menos desde novembro, o petista percorre municípios capixabas e trabalha na elaboração de um plano de governo, mas ainda patina nas pesquisas de intenção de voto.

Uma das estratégias para engrenar na corrida ficou evidente no evento: Helder quer convencer o eleitorado de que seus principais adversários, o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), são "iguais" ou "muito parecidos".

"Do lado de lá, você tem o atual governador que, quando teve a oportunidade histórica de fazer para os trabalhadores brasileiros, fez um relatório da reforma trabalhista para retirar direitos dos trabalhadores brasileiros e capixabas", discursou o deputado para uma plateia de apoiadores que respondeu com gritos de "Fora, Ferraço!"

Em seguida, Helder completou: 

"O ex-prefeito de Vitória, quando teve a oportunidade de melhorar a vida dos servidores, convocou uma sessão extraordinária com cinco dias de mandato para aprovar a reforma da previdência mais perversa da história de Vitória".


E o público entoou "Fora, Pazolini!".

Em entrevista exclusiva à coluna, Helder reafirmou a intenção de mostrar que Pazolini e Ricardo "são muito parecidos".

O PT fez parte da gestão de Renato Casagrande (PSB), que também era integrada por Ricardo, como vice-governador.

Os petistas, entretanto, entregaram os cargos de indicação política que ocupavam na administração quando o emedebista passou a comandar o Palácio Anchieta, no início de abril.

"O atual governador nem sequer vai conseguir manter aquilo que fez o ex-governador Renato Casagrande. Já existem retrocessos acontecendo no atual governo", disparou Helder.

"Um exemplo é aquela mudança da mesa de conflitos para segurança pública", lembrou o deputado federal.


"Pessoa se trata com diálogo e não com polícia. A polícia é para fazer a repressão da violência, do crime. Mas quando a gente trata com pessoas é por meio do diálogo. É um modelo de gestão que não prima pela participação social. Nesse aspecto, eles (Pazolini e Ricardo) são muito parecidos, muito, muito parecidos".

Pesquisa Quaest realizada em abril mostrou que Helder tem entre 8% e 10% das intenções de voto em cenários estimulados (quando os nomes dos candidatos são informados aos eleitores).

O objetivo dele é chegar a 30% até o dia do pleito e ir para o segundo turno.

Além do mote local, de comparação com os adversários, Helder vai atrelar a campanha ao presidente Lula, pré-candidato à reeleição.

Desde o início da pré-campanha, o deputado se apresenta como membro do "Time do Lula".

No sábado, isso foi reforçado em peças de áudio e vídeo, ao lado do senador Fabiano Contarato (PT), pré-candidato à reeleição.

"A cada dia mais gente sabe que eu sou pré-candidato e que sou o pré-candidato do presidente Lula. O presidente Lula vai ter, no primeiro turno, no Espírito Santo algo em torno de 40%, 42% dos votos. E nós vamos trabalhar para eu chegar aos 30%".

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Em termos de projetos para o Espírito Santo, Helder Salomão afirmou que a ideia é fazer um governo com mais participação social, com foco na redução da desigualdade, "mantendo os avanços dos governos anteriores".

Dentro da polarização da política nacional, entre petistas e bolsonaristas, ou petistas e antipetistas, Helder tem ainda um desafio local.

Ricardo e Pazolini são os principais nomes na disputa e, hoje, o prognóstico nos bastidores é de um segundo turno entre os dois.

Ao se apresentar como integrante do "Time do Lula", o deputado pode conquistar, sim, votos dos eleitores fiéis do presidente da República, que não são majoritários no Espírito Santo, mas têm relevância.

A questão é que no pleito estadual o fator predominante pode não ser o cenário nacional.

Ricardo tem o trunfo de ter "a máquina na mão", por ser o atual governador e contar com o apoio de diversos partidos e prefeitos.

Pazolini conta com a vitrine da Prefeitura de Vitória, tem uma carreira política mais curta e pode se apresentar como "o novo", embora esteja aliado a políticos tradicionais também, como os do PSD do ex-governador Paulo Hartung.

Helder é um político experiente, tem o recall de ter sido prefeito de Cariacica, fato que lembrou no discurso realizado no sábado, e foi o deputado federal mais votado do estado em 2022.

Mas da mesma forma que o petismo pode alavancar votos, também impulsiona a rejeição.

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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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