Fundos imobiliários (FIIs) nasceram com uma proposta direta: uma gestora capta recursos com investidores, compra imóveis, recebe os aluguéis mensalmente e distribui os rendimentos, com isenção de imposto de renda aos investidores. Na teoria, um investimento fácil de entender. Na prática, a maioria dos fundos listados na B3 está longe de cumprir essa promessa. Poucos entregam a valorização imobiliária e o crescimento de aluguéis acima da inflação que se espera da categoria, e boa parte sequer supera o retorno da renda fixa, o que os torna, hoje, um mau negócio para quem busca apenas simplicidade e previsibilidade.
A origem do problema está no período de juros baixos entre 2018 e 2022. Nessa janela, diversos fundos fizeram sucessivas emissões de cotas e compraram imóveis que pareciam atrativos para aquele patamar de juros. Com a alta da Selic, os retornos projetados na época deixaram de fazer sentido diante do que hoje pagam os títulos públicos.
Os fundos que conseguiram bons resultados nesse período, por outro lado, em geral, o fizeram às custas de uma complexidade crescente: operações imobiliárias nem sempre transparentes, maior endividamento e pagamentos feitos por meio de troca de cotas. O retorno até veio, mas o cotista comum ficou perdido tentando acompanhar as decisões da gestão.
O cenário atual é de fundos maiores e mais consolidados, com mais flexibilidade para vender teses maduras e reinvestir em ativos promissores. Só que essa sofisticação tem um custo: ficou mais difícil para o investidor pessoa física entender o produto e escolher bons fundos. Muitos ainda se guiam apenas pelo dividendo mensal pago, um erro relevante, já que essa distribuição é volátil e pode esconder riscos e obrigações futuras capazes de comprometer o rendimento à frente.
Ainda há bons fundos e boas oportunidades na classe, mas saber identificá-los está longe de ser um exercício trivial. Tentar navegar sozinho nesse mercado, na expectativa de retornos expressivos, é hoje um exercício arriscado. Antes de investir com base apenas no dividend yield, vale entender a estratégia por trás do fundo, a qualidade da gestão e de seus ativos, seu nível de endividamento e a sustentabilidade dos rendimentos. Não abra mão de buscar orientação adequada para construção do seu portfólio e para evitar cair em enrascadas, que, a cada dia, se mostram mais comuns no mundo dos FIIs.
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