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Letícia Gonçalves

CNJ confirma decisão contra desembargadora do ES que atacou colegas no WhatsApp

Por unanimidade, plenário do Conselho barrou Marise Chamberlain de assumir a presidência do tribunal

Publicado em 23 de Junho de 2026 às 12:50

Públicado em 

23 jun 2026 às 12:50
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Sede do TRT-17, na Enseada do Suá, em Vitória Ricardo Medeiros
O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou por unanimidade a decisão cautelar que impede a vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, de exercer a presidência da Corte ou qualquer outro cargo de direção, exceto a vice-presidência.

A vedação foi imposta no âmbito de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e vale até que este seja julgado.

Em maio, o conselheiro relator, Rodrigo Badaró, proferiu a cautelar nos seguintes termos:

"Para impedir a magistrada processada de assumir, exercer, ser indicada, nomeada ou designada ou inscrever-se, concorrer e/ou ser votada para quaisquer funções de gestão e/ou direção no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região, em caráter definitivo ou provisório, ainda que ad hoc, em especial a Presidência e Corregedoria, enquanto não for julgado o presente Processo Administrativo Disciplinar, inclusive para exercício em caráter temporário ou interino em caso de ausência e/ou afastamento do(a) titular a qualquer título".

Agora, os demais conselheiros referendaram a decisão. O mérito do PAD ainda não foi apreciado.

Chamberlain é alvo de investigação no Conselho por suposta má conduta e falta de urbanidade ao publicar mensagens agressivas com viés político-partidário em um grupo de WhatsApp integrado por outros magistrados da Justiça do Trabalho.

A desembargadora chamou um colega de "gentalha" e avisou: "Quando eu for presidente do Tribunal, menina, a direita já tratorou a esquerda toda".

Ela também fez críticas e ironizou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corregedoria Nacional de Justiça pediu o afastamento da magistrada de todas as funções, mas o relator do PAD optou por mantê-la no exercício da jurisdição. 

Chamberlain vai continuar a julgar processos e a votar nas sessões do TRT, por exemplo.

Mas não pode se candidatar à presidência do TRT-17, cargo para o qual ela era considerada um nome certo, antes da discussão no grupo de WhatsApp.

Os magistrados atacados pela desembargadora no grupo acionaram o CNJ. O advogado deles, Délio Fortes Lins e Silva Júnior, diz que agora o caminho é apenas aguardar o curso do processo disciplinar.

Mensagem desembargadora Marise CHAMBERLAIN
Mensagens enviadas ao grupo Amatra-17 Reprodução
Mensagem desembargadora Marise CHAMBERLAIN
Mensagem enviadas pela desembargadora ao grupo Amatra-17 Reprodução


O que diz a defesa


A coluna tentou contato com o advogado que faz a defesa de Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, Flávio Pansieri.

Até a publicação deste texto, ele não havia se manifestado.

Em março, quando o CNJ decidiu abrir o PAD, Pansieri, em sustentação oral, rebateu as acusações e afirmou que o objetivo do processo é justamente impedir que Chamberlain assuma a presidência do TRT-17.


A defesa sustentou que o Conselho está sendo utilizado como uma ferramenta de "vingança correicional", fruto de disputas internas no tribunal, e que a denúncia é baseada em "falácias".


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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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