Cerca de 80% do PIB (Produto Interno Bruto) da indústria brasileira de rochas se dá no Espírito Santo. O setor movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano e emprega 30 mil no Estado. É uma cadeia relevante, portanto, qualquer movimento vindo lá dos Estados Unidos, maiores compradores externos do material brasileiro, faz diferença na economia capixaba. Após os anúncios, nos últimos dias, de novas tarifas norte-americanas em cima de produtos exportados pelo Brasil, a indústria de rochas, que foi uma das mais afetadas, iniciou uma avaliação de cenário mais aprofundada.
A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos no âmbito da investigação relacionada ao trabalho forçado fortalece a posição competitiva da Itália (forte nos produtos de alto valor agregado) e da Índia (referência em granitos) em relação às rochas brasileiras no mercado norte-americano, avalia a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). Enquanto a Itália permaneceu fora da investigação e a Índia foi enquadrada na alíquota de 10%, o Brasil passou a integrar a faixa de 12,5%, ao lado de China e Turquia. A medida amplia os desafios para o setor, que desde 22 de julho já convive com uma tarifa de 25% aplicada a parte dos produtos brasileiros de rochas no âmbito de outra investigação comercial conduzida pelos EUA. Produtos como granitos e mármores estão tarifados em 37,5%.
Para o presidente da Centrorochas, Tales Machado, o novo cenário exige atenção. "A diferença tarifária representa um fator que precisa ser acompanhado de perto, especialmente em um mercado tão estratégico para nós quanto os Estados Unidos. No entanto, temos um ponto favorável: a decisão de compra não é definida apenas pela tarifa. O mercado também valoriza atributos como exclusividade dos materiais, qualidade, disponibilidade e segurança no fornecimento. E isso o Brasil não perdeu".
Para China e Turquia, os efeitos competitivos tendem a ser mais limitados, já que os dois países passaram a compartilhar a mesma alíquota de 12,5% aplicada ao Brasil. O caso chinês, entretanto, merece atenção especial. Além de liderar a produção mundial de rochas, a China desempenha papel estratégico na cadeia global ao importar grandes volumes de blocos (com menor valor agregado), especialmente do Brasil, para beneficiamento e depois exportar.
Até o dia 22 de julho, todos os produtos brasileiros pagavam 10% para entrar nos Estados Unidos. No dia 22, todas as rochas, fora os quartzitos, passaram a pagar taxa de 25%. No dia 24, foi imposta uma nova tarifa de 12,5% e nem os quartzitos escaparam.
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