A exportação de café arábica é uma oportunidade real para a ampliação de movimento nos portos do Espírito Santo. Pode parecer esquisito, afinal, a produção de café arábica é a atividade econômica mais tradicional da economia capixaba, iniciada em meados do século XIX, e que, inclusive, foi a mola propulsora dos investimentos originais feito no Porto de Vitória, no começo do século XX, mas é a pura realidade.
Pelas estatísticas do Centro do Comércio de Café de Vitória, que reúne os exportadores de café, todos os anos são exportadas entre 2 milhões e 3 milhões de sacas de café arábica produzidas nas lavouras do Estado, mas apenas 500 mil saem pelos terminais capixabas. As demais vão por Santos ou Rio de Janeiro. O Porto de Vitória, ainda no período que era administrado pela estatal Codesa, perdeu espaço, ao longo das últimas décadas, por falta de investimentos e, consequentemente, de competitividade.
Ou seja, os terminais capixabas, não apenas os do Complexo Portuário de Vitória, estão deixando passar um movimento anual que fica entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de sacas de café. Não é pouca coisa. Os interessados no filão precisarão fazer um trabalho junto aos exportadores (que se acostumaram a fazer o caminho para Rio e Santos) e apontar os ganhos de eficiência. Hoje, um café produzido na região Serrana ou no Caparaó capixaba precisa rodar pelo menos 500 quilômetros para chegar ao Rio de Janeiro e cerca de 1 mil km para chegar a Santos. O argumento do frete é evidente, é preciso olhar também os obstáculos da burocracia e do despacho.
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