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Julho Amarelo: 5 mitos e verdades sobre as hepatites virais

A prevenção e a realização de testes são cuidados fundamentais para reduzir os riscos e evitar complicações graves

Publicado em 17 de Julho de 2026 às 16:15

Portal Edicase

Publicado em 

17 jul 2026 às 16:15
Quando não identificadas e tratadas adequadamente, as hepatites podem evoluir para condições mais graves (Imagem: Nearzoo works | Shutterstock)
Quando não identificadas e tratadas adequadamente, as hepatites podem evoluir para condições mais graves Crédito: Imagem: Nearzoo works | Shutterstock
As hepatites virais são infecções causadas por diferentes tipos de vírus que atacam o fígado, principalmente os vírus das hepatites A, B, C, D e E. Em muitos casos, a doença pode não provocar sintomas nas fases iniciais, dificultando o diagnóstico precoce. Quando não identificadas e tratadas adequadamente, especialmente as hepatites B e C, elas podem evoluir para inflamação crônica do fígado, cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado.
Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C representa 41,5% dos diagnósticos, seguida pela hepatite B, com 36,6%. Embora a mortalidade tenha diminuído nas últimas décadas graças ao avanço da vacinação e do tratamento, a prevenção continua sendo essencial, principalmente em situações que envolvem contato com sangue.
Abaixo, o Dr. Valdir Sabbaga Amato, infectologista disponível na Doctoralia e professor associado do Departamento de Infectologia e Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), explica o que é mito e o que é verdade sobre as hepatites virais .

1. Compartilhar escovas de dente ou lâminas de barbear pode transmitir hepatites virais

Verdade. Objetos de uso pessoal que podem entrar em contato com pequenas quantidades de sangue não devem ser compartilhados. Mesmo sem sangue visível, existe possibilidade de transmissão dos vírus das hepatites B e C.
“São objetos que podem provocar pequenos ferimentos e, por isso, representam um risco quando compartilhados. A recomendação é que sejam sempre de uso individual”, orienta o Dr. Valdir Sabbaga Amato.

2. Quem tem hepatite sempre apresenta sintomas, como pele e olhos amarelados

Mito. Nem todas as pessoas desenvolvem sintomas. Em muitos casos, especialmente nas hepatites B e C , a infecção pode permanecer silenciosa durante anos, sendo identificada apenas em exames de rotina ou quando já existe algum comprometimento do fígado. “A ausência de sintomas não significa ausência da doença. Esse é justamente um dos motivos pelos quais o diagnóstico precoce é tão importante”, afirma o infectologista.
A vacinação é fundamental para a prevenção, mas não protege contra todos os tipos de hepatite (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A vacinação é fundamental para a prevenção, mas não protege contra todos os tipos de hepatite Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

3. Existem vacinas para todas as hepatites virais

Mito. Atualmente, há vacinas eficazes contra as hepatites A e B. Ainda não existe imunizante para a hepatite C, o que torna as medidas de prevenção e a testagem ainda mais importantes. “A vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção para algumas hepatites, mas ela não protege contra todos os tipos. Por isso, hábitos seguros e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais”, destaca o especialista.

4. Todas as hepatites podem ser contraídas da mesma forma

Mito. As formas de transmissão variam de acordo com o tipo de hepatite viral . As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados e estão relacionadas a condições inadequadas de saneamento e higiene. As hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado. No caso da hepatite B, também há risco de transmissão por relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
“Embora todas afetem o fígado, as hepatites virais não são contraídas da mesma maneira. Conhecer as formas de transmissão de cada tipo é essencial para adotar as medidas adequadas de prevenção”, explica o Dr. Valdir Sabbaga Amato.

5. As hepatites virais têm tratamento e, em alguns casos, podem ser curadas

Verdade. Os avanços da medicina permitiram tratamentos cada vez mais eficazes. A hepatite C, por exemplo, apresenta altas taxas de cura quando diagnosticada e tratada adequadamente . A hepatite B, por sua vez, pode ser controlada, reduzindo o risco de complicações.
“Quanto mais cedo a infecção é identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e da prevenção de complicações como cirrose e câncer de fígado. Por isso, pessoas que tiveram situações de risco ou nunca realizaram a testagem devem conversar com um profissional de saúde”, conclui o Dr. Valdir Sabbaga Amato.
Por Bárbara Cheffer

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