A taxa de inadimplência de aluguel no Brasil registrou leve alta em maio de 2026, fechando o período em 3,22%. O avanço representa um acréscimo de 0,04 ponto percentual em relação a abril (3,18%), mês que havia marcado o menor patamar do indicador em um ano. Os dados constam no Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), apurado pela Superlógica com base em dados recolhidos de forma anônima de mais de 800 mil locatários.
Apesar da oscilação mensal positiva, o cenário de longo prazo aponta para estabilidade, com recuo de 0,11 ponto percentual no confronto com maio de 2025, quando a inadimplência estava em 3,33%. O comitê técnico do indicador recomenda cautela no acompanhamento de variáveis macroeconômicas, como inflação e taxas de juros, que afetam a capacidade de pagamento das famílias e o orçamento doméstico.
“O aumento ainda é pequeno e pode ser considerado como uma variação comum diante da instabilidade econômica que o país vive. Ainda é cedo para determinar uma tendência de alta, principalmente porque abril registrou o menor índice em um ano e o aumento observado em maio não foi expressivo. No entanto, o cenário exige cautela, afirma Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica.
Extremos financeiros
No recorte por faixas de preço, os extremos financeiros concentram os maiores índices de atraso superior a 60 dias. Os imóveis com aluguel de até R$ 1.000 mantêm a liderança da inadimplência. No segmento residencial dessa faixa, a taxa subiu de 5,56% para 6,31% de abril para maio, enquanto no comercial o índice saltou de 7,00% para 7,60%.
Em contrapartida, as locações de maior valor (acima de R$ 13.000) também apresentaram pressão relevante. Os contratos residenciais dessa categoria avançaram 1,64%, atingindo 6,16% de inadimplência em maio. Nos comerciais de alto valor, o índice de atrasos chegou a 4,90%.
Segundo Gonçalves, fatores como a maior carga tributária e o encarecimento do crédito corporativo impactaram o fluxo de caixa de empresários e comerciantes, perfil que majoritariamente absorve esses contratos de alta renda.
“Os contratos de maior valor seguem preocupando as imobiliárias e administradoras pelo impacto financeiro que representam. Quem aluga um imóvel acima de R$ 13.000, geralmente, tem renda familiar acima de R$ 40.000, três vezes o valor do aluguel, dentro da margem de segurança padrão”, analisa Gonçalves.
As faixas com menor índice de inadimplência no país ficaram concentradas nos contratos intermediários, entre R$ 2.000 e R$ 3.000, registrando taxas de 1,91% (residenciais) e 3,52% (comerciais).
Análise por Tipo de Imóvel e Regiões
Todos os três segmentos imobiliários pesquisados registraram alta em maio:
Casas: avanço de 3,31% para 3,69%;
Apartamentos: avanço de 2,11% para 2,35%;
Comerciais: avanço de 4,21% para 4,39%.
No mapa regional, o Nordeste manteve a liderança da inadimplência locatícia ao subir para 5,39% (alta de 0,41 p.p.). O Norte registrou a segunda maior taxa, com 4,38%, seguido pelo Sudeste, que avançou para 3,15%.
Na ponta oposta, o Centro-Oeste manteve trajetória de queda, encerrando o mês em 2,85%. A região Sul, mesmo com oscilação positiva de 0,02 p.p., preservou a menor taxa do país, com 2,67% de inadimplência.