A pouco menos de duas semanas das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho, um racha na federação formada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e a Rede Sustentabilidade pode resultar na retirada da única candidatura ao Senado apresentada pelo grupo até agora.
O impasse entre as duas siglas envolve divergências sobre quem apoiar na disputa pelo governo do Espírito Santo e também na eleição para uma das duas vagas de senador.
A Rede defende que a federação apoie o governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida ao Palácio Anchieta e componha a chapa da base governista, com o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e um segundo nome para o Senado indicado pelo grupo. Já o Psol descarta apoiar Ferraço ao governo e insiste em manter ao menos uma candidatura própria ao Senado.
Ainda nos primeiros meses do ano, o professor Carlos Fabian (Psol) foi lançado como pré-candidato da legenda ao Senado. A expectativa era de que seu nome fosse respaldado pela Rede, parceira do Psol na federação desde as eleições de 2022. Nos bastidores, porém, a tendência é que a candidatura seja retirada antes mesmo do início das convenções.
No início da noite desta terça-feira (7), a reportagem de A Gazeta apurou, em primeira mão, que a direção nacional da federação avalia até mesmo uma possível intervenção para tentar resolver o impasse entre os dois partidos. A existência das divergências foi confirmada tanto pelo presidente estadual do Psol, Wellington Barros, quanto pela porta-voz da Rede no Espírito Santo, Laís Garcia.
Apesar de reconhecerem o desencontro entre os projetos políticos das duas legendas, ambos adotaram um tom conciliador.
"Neste momento, há uma pressão para que o Psol retire a candidatura do Fabian. No entanto, a candidatura dele é importante para nós. A direção nacional do Psol defende a manutenção dessa candidatura, mesmo diante do impasse. Mas a ideia é seguir discutindo, mantendo o diálogo aberto", afirmou Wellington Barros.
Sobre a disputa pelo governo, o dirigente reiterou que a orientação da legenda é pedir votos para o deputado federal Helder Salomão (PT).
"Essa possibilidade foi apresentada (de apoio a Ricardo Ferraço), mas, em hipótese alguma, o Psol faria coligação com Ricardo Ferraço. A Rede compreendeu esse nosso posicionamento. Vamos manter essa decisão", disse.
Questionado sobre a segunda vaga ao Senado, Wellington afirmou que o Psol já decidiu apoiar a tentativa de reeleição de Fabiano Contarato (PT).
Rede alega compromisso com o governo
A porta-voz da Rede no Espírito Santo, Laís Garcia, afirmou que a posição do partido é consequência da aliança construída com o grupo político de Renato Casagrande e Ricardo Ferraço nos últimos anos.
"Diante do que está posto, a gente fechou apoio a Casagrande e Ferraço. Estamos no governo por meio de cargos. É natural que a Rede apoie a continuidade", afirmou.
Segundo ela, por esse motivo, a legenda considera inviável, neste momento, apoiar a candidatura de Carlos Fabian ao Senado.
"A Rede tem um histórico de construir consenso progressivo. Embora sejamos partidos diferentes, a gente está dialogando. Não fechamos posição por respeito", disse.
Laís afirmou que o cenário ainda pode sofrer mudanças e citou, como exemplo, a possibilidade de alterações na composição da chapa da base governista.
"A gente não sabe o que vai acontecer. Para a gente, esse diálogo precisa acontecer com o mínimo de intervenção", afirmou, ao comentar a possibilidade de uma atuação da direção nacional da federação para solucionar o impasse.
A dirigente ressaltou ainda que a posição da Rede não surgiu durante as negociações deste ano, mas acompanha a aliança firmada anteriormente com o grupo do governo estadual.
"Esse cenário está posto desde que a gente apoiou o grupo de Casagrande lá atrás. Não é de agora", concluiu.
Fabian vê pressão política contra candidatura
O pré-candidato ao Senado Carlos Fabian afirmou que sua candidatura foi construída após meses de diálogo com outras forças do campo progressista e que, desde o início, a preocupação do Psol era não prejudicar o projeto de reeleição do senador Fabiano Contarato (PT).
"A candidatura foi muito dialogada. A ideia era que a gente conseguisse chegar a lugares onde o Fabiano Contarato não conseguiria chegar. Quando o presidente do PT, o deputado estadual João Coser, anunciou que a prioridade era o Casagrande, isso nos assustou. A nossa preocupação era justamente não atrapalhar o projeto do Contarato", afirmou.
Segundo Fabian, na última semana ele foi informado de que a Rede comunicou ao Psol que havia desistido de apoiar sua candidatura ao Senado.
"A gente entende que houve pressão do Palácio Anchieta e da federação formada por PT, PV e PCdoB. Apesar dos percalços, a ideia é que a candidatura seja mantida", disse.
O pré-candidato afirmou que segue confiante na manutenção de seu nome na disputa e disse acreditar que as negociações continuarão até as convenções partidárias, marcadas para o próximo dia 20 de julho.