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Petroleiros atacados e reação dos EUA com bombardeio: por que guerra voltou a esquentar no Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos afirmam que os ataques têm como objetivo impor "custos elevados" ao Irã, enquanto o governo iraniano alerta que vai "tomar medidas decisivas" em resposta.

Publicado em 07 de Julho de 2026 às 21:35

BBC News Brasil

Publicado em 

07 jul 2026 às 21:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: Reuters
Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques "poderosos" contra o Irã após três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou nesta terça-feira (7/7) que deu início à ofensiva "para impor um alto custo a quem ataca navios comerciais tripulados por pessoas inocentes em uma rota internacional".
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que a ação americana viola o memorando firmado entre os dois países no mês passado e alertou que Teerã adotará "medidas decisivas".
Os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda e terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.
Em resposta, um integrante do governo americano afirmou que o Irã enfrentará consequências e classificou os incidentes como "totalmente inaceitáveis".
Em comunicado publicado na rede social X na noite desta terça-feira, o Centcom afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques iranianos".
"A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o comando
Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos revogou nesta terça uma isenção de sanções que suspendia temporariamente restrições à exportação de petróleo pelo Irã.
A autorização, que permitia ao país vender petróleo e derivados, fazia parte do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã no mês passado.
Um comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro nesta terça informou que seria concedido um período de transição até 17 de julho para as transações que haviam sido permitidas pela isenção.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a decisão viola o memorando e demonstra a "má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade" do governo dos Estados Unidos.
A pasta acrescentou que Teerã "tomará todas as medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses nacionais e sua segurança nacional".
Antes do anúncio da nova ofensiva pelo Centcom, um integrante do governo americano, sob condição de anonimato, afirmou que os negociadores do país continuariam trabalhando "de boa-fé" para alcançar um acordo definitivo com o Irã.
Catar e Arábia Saudita também condenaram os incidentes. Os dois países disseram que petroleiros de suas bandeiras foram atingidos enquanto navegavam pelo Estreito de Ormuz ou em suas proximidades e responsabilizaram o Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou que o país considera o Irã "totalmente responsável" pelo aparente ataque direcionado ao navio Al-Rekayyat, que transitava próximo ao estreito.
Em publicação na rede social X, Al Ansari pediu que o Irã "cesse imediatamente todas as práticas que comprometem a segurança regional" e "deixe de colocar em risco o abastecimento global de energia e os recursos dos países da região em busca de interesses restritos".
Em outra publicação na rede social, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou que o petroleiro saudita Wadyan também foi atingido enquanto cruzava o Estreito de Ormuz. Segundo a pasta, os ataques representam "uma ameaça à segurança da navegação internacional e ao abastecimento mundial de energia".
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as acusações do Catar como "contrárias ao princípio da boa vizinhança".
Em comunicado publicado no Telegram, Baghaei afirmou que embarcações comerciais que utilizam rotas não coordenadas com o Irã ou manipulam seus sistemas de rastreamento correm risco de colisão e dificultam os esforços do país para "garantir uma travessia segura" pelo Estreito de Ormuz.
Segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um petroleiro que navegava pelo estreito reportou um incêndio após um projétil de origem desconhecida atingir a casa de máquinas na segunda-feira.
Em outros dois episódios registrados na terça-feira, um petroleiro foi atingido ao deixar o estreito, mas conseguiu seguir viagem até o porto de destino. Outro sofreu danos estruturais leves após ser atingido, informou a organização.
O memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado prorrogou o cessar-fogo entre os dois países.
O acordo, composto por 14 pontos, prevê o fim das hostilidades "em todas as frentes", estabelece que o Irã nunca desenvolverá uma arma nuclear e cria um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do país, embora os EUA não sejam obrigados a financiá-lo.
Como parte do entendimento, Irã e Omã, que dividem a costa do Estreito de Ormuz, deverão negociar com outros países do Golfo a futura administração e os serviços marítimos na região.
Teerã fechou, na prática, o Estreito de Ormuz — rota por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo — após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.
Durante o conflito, o Irã buscou reforçar sua soberania sobre a passagem marítima, criando a chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, responsável, segundo o governo iraniano, por administrar autorizações para uma "passagem segura".
A agência estatal iraniana Fars informou que, pelo novo acordo com os EUA, o estreito passaria a ser administrado pelo Irã em coordenação com Omã, incluindo a possibilidade de cobrança de taxas de serviço das embarcações que utilizarem a hidrovia.

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