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Resgate

Cenário de horror: criança vivia entre animais em situação extrema em Guarapari

Operação resgatou cães, gatos e aves em situação de maus-tratos; polícia também apreendeu duas armas no imóvel. Dona do imóvel foi presa

Publicado em 02 de Julho de 2026 às 10:19

Jaciele Simoura

Publicado em 

02 jul 2026 às 10:19

Uma criança de 8 anos foi encontrada em uma casa em condições extremas de insalubridade, cercada por animais doentes e em situação de maus-tratos, durante uma operação realizada na quarta-feira (1º) no bairro Santa Rosa, em Guarapari. Uma mulher apontada como responsável pelo imóvel, de 30 anos, foi presa em flagrante.


A ação foi realizada de forma conjunta pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus-Tratos aos Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, pela Polícia Civil, pela Gerência de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Guarapari, pelo Centro de Controle de Zoonoses e pelo Conselho Tutelar.


Durante a fiscalização, as equipes encontraram sete cães, quatro gatos e diversas aves vivendo em condições consideradas extremamente precárias. No imóvel também foram apreendidos dois revólveres, calibres .38 e .32.


Segundo os órgãos envolvidos, a situação de insalubridade persistia havia mais de cinco anos.

De acordo com a Polícia Civil, a criança foi encontrada vivendo em meio à sujeira e cercada por animais debilitados. Após o resgate, ela foi acolhida pelo Conselho Tutelar, que passou a acompanhar o caso.


Os animais também foram retirados da residência e encaminhados para avaliação clínica e atendimento veterinário.


O delegado da Delegacia de Polícia de Guarapari, Rodrigo Peçanha, afirmou que, ao longo da carreira, poucas ocorrências causaram tamanho impacto.


"Depois de muitos anos na Polícia Civil, nunca havia presenciado uma situação tão grave quanto esta. Encontramos uma residência completamente tomada pela sujeira, com forte odor, presença de insetos e condições absolutamente incompatíveis com a permanência de pessoas e animais."


Ele destacou que o mais preocupante foi encontrar uma criança vivendo naquele ambiente, exposta a riscos físicos e sanitários. 

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Aves apresentavam indícios de participação em rinhas

O médico-veterinário da CPI, João Victor Torres, informou que as equipes localizaram diversos elementos que indicam a possível utilização das aves em rinhas. Segundo ele, alguns galos apresentavam lesões nas pernas e foram encontradas esporas artificiais e medicamentos normalmente utilizados após os combates.


Além disso, um dos gatos resgatados apresentava sinais compatíveis com esporotricose, doença que pode ser transmitida para outros animais e também para seres humanos, exigindo tratamento especializado.


A mulher responsável pelo imóvel foi conduzida à delegacia e presa em flagrante. A Polícia Civil informou que dará continuidade às investigações para apurar possíveis crimes de maus-tratos contra animais, manutenção de aves para rinhas, eventuais infrações sanitárias e as circunstâncias em que a criança vivia.


Os animais permanecerão sob acompanhamento veterinário até a conclusão da avaliação clínica e definição dos encaminhamentos legais. O caso também será acompanhado pelos órgãos de proteção à infância e pelo Ministério Público.

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