Andrade Ribeiro/ TV Gazeta Sul
O ex-vice-prefeito de Ibitirama Célio Martins Morales foi condenado a 3 anos e 11 meses de prisão por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pela morte da esposa, Vanuza Spala de Almeida, de 41 anos. Logo após a sentença, o juiz concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade e ele recebeu alvará de soltura. O julgamento aconteceu na quinta-feira (18), em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. A vítima foi encontrada morta com um tiro no peito, dentro da casa do casal, no dia 8 de abril de 2023.
De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a decisão foi tomada pelo conselho de sentença do tribunal do júri após um dia de julgamento. Os jurados entenderam que a morte de Vanuza ocorreu de forma acidental, sem que Célio tivesse intenção de matá-la. Tese diferente da defendida pelo órgão ministerial, que sustentava a ocorrência de homicídio doloso qualificado por feminicídio.
Além da condenação por homicídio culposo, Morales também foi considerado culpado pelos crimes de fraude processual e posse ilegal de arma de fogo de uso permitido. As penas somadas chegaram a 3 anos e 11 meses de prisão. Como já estava preso preventivamente há 3 anos e 3 meses, o ex-vice-prefeito teve a liberdade concedida.
Em nota, o MPES informou que vai recorrer da decisão. O Ministério Público destacou ainda que continuará atuando no combate à violência de gênero e na defesa da vida. A reportagem tenta contato com a defesa de Célio Morales.
O julgamento foi realizado em Cachoeiro de Itapemirim após decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), que determinou o desaforamento do caso. O processo tramitava na Comarca de Ibitirama, onde ocorreu o crime. A mudança aconteceu por conta da influência política e do prestígio local de Morales, fatores que, segundo a Justiça, poderiam comprometer a isenção do julgamento e aumentar a comoção popular em torno do caso.
Segundo a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Céio Morales recebeu alvará de soltura na manhã desta sexta-feira (19).
O advogado Elias Assad, que atua na defesa do réu, disse que respeita o direito de recurso do Ministério Público, mas confia plenamente na decisão soberana do tribunal do júri. Para ele, os jurados analisaram as provas produzidas em plenário e deram seu veredicto dentro da legalidade.
O advogado de acusação também foi procurado pela reportagem e informou que ainda vai se manifestar. O espaço segue aberto.
Relembre o caso
No dia 8 de abril de 2023, Vanuza Spala de Almeida foi encontrada morta na residência do casal, localizada na comunidade de Barra Feijão Cru, zona rural de Ibitirama, na região do Caparaó do Espírito Santo.
Na ocasião, segundo registro da Polícia Militar, Célio Martins Morales entrou em contato com familiares da esposa afirmando que ela havia tirado a própria vida e pediu ajuda. A vítima foi encontrada no banheiro da casa com um tiro no peito.
Segundo as investigações, o então vice-prefeito deixou o local antes da chegada das equipes de socorro. Dois dias depois, ele se apresentou espontaneamente à Delegacia de Ibitirama acompanhado de advogado e exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Embora tenha sido liberado naquele momento, a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva contra ele no dia seguinte. Após permanecer foragido por oito dias, Morales foi preso em 19 de abril de 2023.
Célio Martins Morales se tornou réu pelos crimes de homicídio qualificado, realizado por motivo torpe e caracterizado como feminicídio, além de fraude processual e porte ilegal de arma de fogo.