A instalação da Great Wall Motor (GWM) em Aracruz, no Espírito Santo, promete ir além de uma linha de montagem de veículos e consolidar como plataforma tecnológica. A área onde ficará a nova unidade da montadora no Brasil, no Norte capixaba, também deve abrigar uma fábrica de baterias para veículos elétricos
Segundo Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais da GWM, a possibilidade de implantação está no planejamento do projeto da montadora no Estado.
Questionado sobre a produção local de componentes essenciais, Bastos afirma que "nada é descartado" e aponta que existe espaço físico suficiente no terreno de Aracruz para essa expansão.
O diretor revela que a GWM possui uma unidade interna dedicada à produção de baterias (a Svolt), que atualmente supre metade das necessidades globais da empresa. Essa unidade tecnológica está à disposição e já faz parte do projeto capixaba.
O executivo esteve em Aracruz nesta terça-feira (30), durante a cerimônia de lançamento da fábrica da GWM em Aracruz, em terreno de 1,7 milhão de metros quadrados localizado às margens da rodovia ES-257, em Barra do Riacho.
A chegada da montadora ao Espírito Santo representa um marco para a atração de investimentos produtivos e para a inserção do Estado em uma cadeia global da indústria automotiva.
A intenção da montadora é que o Espírito Santo ajude o Brasil a dominar o ciclo completo da eletrificação, produzindo não apenas os carros, mas também as baterias e os motores elétricos.
O complexo industrial foi desenhado sob o conceito de "multienergia", o que significa que as linhas de produção serão flexíveis para fabricar veículos elétricos, híbridos e até modelos a combustão, dependendo da evolução do mercado. Bastos acredita que os modelos plug-in (elétricos e híbridos) deverão ser dominantes quando a fábrica iniciar suas operações, previstas para o começo de 2029.
A vinda da fábrica de baterias e componentes eletrônicos reforça o objetivo de agregar valor à economia capixaba, transformando o Estado de um hub logístico em um polo industrial de alta tecnologia. Essa estratégia é complementada por parcerias com outras gigantes instaladas em cidades capixabas, como a unidade Tubarão da ArcelorMittal, na Serra, que planeja processar aço localmente para atender diretamente a indústria automotiva e de eletrodomésticos, como lembrou o governador Ricardo Ferraço.
Para os executivos da GWM, o Espírito Santo saiu na frente e foi escolhido para sediar a segunda fábrica da montadora no Brasil ao entregar competitividade, transparência e profissionalismo, criando o ambiente necessário para que o Brasil possa, enfim, nacionalizar a produção de veículos eletrificados de ponta.
Projeto da GWM já atrai interesse de mais empresas
Para Patrícia Gouvêa, diretora-presidente da Nova ES, a chegada da GWM ao Espírito Santo é um marco importante. A agência de investimentos trabalhou junto com o governo do Estado nas negociações para a instalação da unidade fabril da montadora em Aracruz.
Depois do anúncio de que a segunda fábrica da GWM no Brasil será instalada no Espírito Santo, oito empresas do setor automotivo já entraram em contato para conhecer as oportunidades no Estado.
“A chegada da GWM reforça tudo o que citamos como os diferenciais competitivos que o Espírito Santo oferece para atrair uma indústria desse porte. Isso gerou visibilidade e projetou o Estado. É o início de um ciclo de prosperidade e de desenvolvimento de um novo setor da economia”, destaca.
A futura fábrica da GWM no Espírito Santo prevê capacidade produtiva de até 200 mil veículos por ano, investimentos estimados em R$ 4,6 bilhões e potencial para gerar 9 mil empregos diretos e indiretos
A primeira fase do empreendimento, cuja obra está prevista para começar este ano, contempla a produção de até 100 mil veículos anuais, investimentos entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,9 bilhões e geração de até 5 mil empregos. As etapas seguintes poderão ampliar a capacidade para 200 mil veículos por ano a partir de 2030.