Vitor Jubini
O Espírito Santo terá 503 produtos afetados pela sobretaxa de 12,5% referente a trabalho forçado, anunciada pelos Estados Unidos na quinta-feira (23). Esses itens correspondem a mais de R$ 5,5 bilhões, equivalente a 38,2% da participação nas exportações capixabas aos norte-americanos, conforme dados obtidos pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
A sobretaxa foi aplicada em decorrência de uma investigação da Seção 301 do Escritório de Comércio dos EUA. O órgão concluiu que a União Europeia e 59 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Somada à alíquota de 25% anunciada no dia 15 de julho, a medida pode elevar a taxação para 37,5% sobre 485 produtos da pauta exportadora capixaba destinados ao mercado estadunidense, enquanto 18 itens serão tarifados somente pelos 12,5%. Outros 12 produtos foram atingidos pelos 25%, mas foram isentados da nova sobretaxa. Por fim, 160 mercadorias foram isentas das duas listas.
O presidente da Findes, Paulo Barona, destacou o impacto da medida no mercado do Espírito Santo.
O Espírito Santo está entre os estados com maior grau de dependência das exportações para os EUA. Em 2025, 27% das exportações do Estado tiveram como destino o mercado norte-americano, o equivalente a R$ 14,24 bilhões
Paulo Barona, presidente da Findes
Segundo o presidente, o melhor caminho é o diálogo técnico e diplomático entre os países, com negociação e previsibilidade, para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
“Ao mesmo tempo, seguiremos trabalhando para diversificar a pauta exportadora capixaba, ampliar a presença do Espírito Santo em outros mercados e proteger a competitividade da nossa indústria”, explica Baraona.
Tarifados em 37,5%
Dos produtos que não escaparam das listas e somarão uma alíquota de 37,5%, o setor de rochas naturais foi o mais afetado. Granitos, mármores e ardósias, que não integram a lista de exceções, passam a acumular a tarifa de 25% com a nova alíquota de 12,5%. Em 2025, esses produtos foram responsáveis por exportar US$ 208 milhões (R$ 1,1 bilhão).
Os quartzitos brasileiros permanecem excluídos da tarifa adicional de 25%, mas ficam sujeitos à nova alíquota de 12,5%. A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) se posicionou sobre a nova tarifa e lamentou o impacto causado no setor de rochas.
A nova elevação da carga tarifária tende a ampliar as dificuldades para a retomada da competitividade desses materiais frente aos principais concorrentes internacionais
Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas)
Na nota, a organização ressaltou que “a cadeia produtiva nacional não tem qualquer vínculo com práticas de trabalho forçado, reforçando o compromisso das empresas brasileiras com o cumprimento da legislação.”
Tarifados em 25%
Os produtos que serão tarifados apenas com 25% somaram menos de R$ 100 mil em exportações em 2025, um valor que não impacta diretamente na economia capixaba.
Tarifados em 12,5%
Já as mercadorias que vão pagar 12,5% tem uma fatia relevante das exportações do Espírito Santo aos EUA. Englobando os quartzitos e produtos do minério de ferro, os 18 itens somaram mais de R$ 4,3 bilhões, cerca de 30% da pauta exportadora capixaba.
Eles haviam passado “ilesos” do tarifaço de 25%, mas não foram isentos da sobretaxa de 12,5%.
Produtos isentos das duas listas
Grandes sobreviventes dos anúncios ao longo do mês, a lista de 160 produtos que não terão uma nova alíquota para chegarem aos EUA corresponde a 32,3% das exportações, pouco mais de R$ 4,6 bilhões.
Entre os itens poupados estão alguns dos produtos com maior participação na pauta exportadora capixaba, como celulose semibranqueada (tipo de maior representatividade nas exportações do setor), petróleo, café não torrado e solúvel, motores elétricos e gengibre.