Divulgação/Portos do Espírito Santo
A nova taxação promovida pelo governo Trump contra o Brasil vai encarecer as vendas de 480 produtos exportados pelo Espírito Santo para os Estados Unidos. Levantamento feito pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) aponta que apenas 178 itens capixabas voltados ao mercado exterior ficaram livres do novo tarifaço de 25%. Outras 29 mercadorias não estão nem na lista do que vão pagar a mais nem das isentas.
Os quase 500 artigos que estão vinculados ao pedágio responderam por US$ 230,8 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão) em movimentações em 2025, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), compilados pelo Observatório Findes. O volume corresponde a 8,1% da pauta exportadora do Estado para os EUA e 2,3% das vendas internacionais totais da federação.
A sobretaxa norte-americana contra produtos brasileiros, anunciada na última quarta-feira (15), começa a valer na próxima quarta-feira (22). Há chance de uma nova cobrança adicional de 12,5% ser ainda aplicada caso o Brasil seja punido pelos EUA devido a casos de trabalho forçado.
O estudo do Observatório destaca que o setor de rochas naturais foi o mais atingido pela nova decisão. No ano passado, o segmento exportou quase US$ 208 milhões (R$ 1,1 bilhão) para os Estados Unidos, representando 90% da receita do mercado que será sobretaxado.
Além das rochas ornamentais, a lista das produções alvo da tarifação inclui produtos siderúrgicos, como semimanufaturados de ligas de aço, tubos, perfis; nozes frescas ou secas; acessórios de instrumentos musicais, itens de vestimenta e até chocolates preto e branco.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, classificou o Estado como um dos mais expostos no próximo ciclo tarifário, mas não descartou a possibilidade de outros países assumirem a quantia destinada aos EUA.
O governo e os empresários do Estado já estão se movimentando, principalmente após as tarifas do ano passado, para buscar esses novos destinos e manter a economia de pé
Paulo Baraona, presidente da Findes
Questionado sobre os possíveis destinos dos produtos, o presidente evitou cravar um país apenas, mas garantiu que o Brasil como um todo deveria passar a olhar os grandes do mercado como uma inspiração.
A China busca muita matéria-prima, mas foca na industrialização do próprio país. O Brasil deveria se espelhar nesse modelo e aproveitar esses momentos para aproveitar o que tem e se desenvolver internamente
Paulo Baraona, presidente da Findes
Lista de exceções favorável
Mesmo com menos itens em relação ao de produtos taxados, as exceções contemplam a maior porcentagem das exportações do Espírito Santo para os EUA. Estão isentos a celulose, o minério de ferro, o petróleo bruto, o café em grão e os quartzitos. Esses produtos concentraram US$ 2,1 bilhões (R$ 11,5 bilhões) em vendas para os norte-americanos em 2025.
Apesar de os isentos terem impactos mais significativos na economia capixaba, Paulo Baraona reitera que o diálogo é a forma mais fácil de resolver o impasse envolvendo as tarifas.
Continuamos dialogando com os empresários dos EUA, tendo em vista que empresas de ambos os países estão sendo impactadas pela taxação. O livre comércio precisa prevalecer entre Brasil e Estados Unidos
Paulo Baraona, presidente da Findes
Por fim, ele garantiu que existem outras alternativas que já estão sendo contatadas pelos representantes do Estado para aliviar a situação.
Seguiremos trabalhando para diversificar a pauta exportadora capixaba e ampliar a presença do Espírito Santo nos mais de 170 mercados com os quais o Estado já se relaciona
Paulo Baraona, presidente da Findes