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Opinião da Gazeta

Salário mínimo será valorizado com economia fortalecida

O país precisa encontrar o rumo do crescimento sustentável para garantir que a renda não continue se deteriorando. E até mesmo para garantir a criação de empregos

Publicado em 06 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

06 jan 2022 às 02:00

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Moedas
O reajuste de 2022 é o mais elevado desde 2016 Crédito: Siumara Gonçalves
O valor do salário mínimo para 2022 foi fixado em R$ 1.212, com um reajuste de 10,18% que teoricamente repõe a inflação, sem promover aumento real aos trabalhadores. Teoricamente, porque a cifra foi baseada nas projeções para 2021. O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que é o indicador de inflação do IBGE, só deve ser divulgado oficialmente no próximo dia 11. Caso o acumulado do ano fique acima dos 10,18%, o valor do mínimo pode até ser atualizado. Ou não. Situação que ocorreu em 2021, mas sem a reposição da diferença por parte do governo federal.
O reajuste de 2022 é o mais elevado desde 2016, sacramentado na esteira inflacionária que veio ganhando força desde o início da pandemia, mas que no ano passado teve impacto como há muito tempo não se via no custo de vida da população. O empobrecimento se acelerou a olhos vistos, com mais pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas.
salário mínimo, que é uma exigência constitucional de valorização da renda do trabalhador, acaba sendo um parâmetro até mesmo injusto diante das atuais circunstâncias sociais: não será simples para um trabalhador atravessar 2022 com R$ 1.212 mensais, mas mais difícil ainda será para aqueles na informalidade ou desempregados.
O valor do mínimo não pode ser guiado por inclinações populistas. O reajuste com a mera correção inflacionária é resultado de um governo com pouca margem de manobra em suas finanças, lembrando-se que o valor é referencial para o pagamento de aposentadorias e pensões, bem como benefícios trabalhistas e assistenciais. É um baque para os cofres públicos, em um país ainda incapaz de fazer corte de gastos supérfluos, construindo assim um Estado mais eficiente e justo.
A política de reajustes acima da inflação a partir do Plano Real se baseou em fatores macroeconômicos mais favoráveis. Paulatinamente, houve redução da pobreza e ganho de qualidade de vida. O país precisa encontrar o rumo do crescimento sustentável para garantir que a renda não continue se deteriorando. E até mesmo para garantir a criação de empregos. Lamentável é que as reformas estruturais sigam sendo um ideário não colocado em prática, mas ainda há tempo para avanços antes das eleições deste anoeleições deste ano.
O salário mínimo deveria garantir o básico. Como está descrito no artigo 7º da Constituição: o salário mínimo do brasileiro deve ser "capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo". Em um país com 13,5 milhões de desempregados, um salário mínimo é um sonho para muitos. Mas é o desejo de um país mais justo, com acesso a uma vida digna a todos, que deve ser compartilhado e perseguido.

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