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Discurso

Pedro Guimarães ignora denúncias de assédio e participa de evento com esposa

Presidente da Caixa, que é investigado pelo MPF, disse ter uma vida pautada pela ética e exibiu o crachá. Bolsonaro já escolheu substituto

Publicado em 29 de Junho de 2022 às 12:27

Agência FolhaPress

Publicado em 

29 jun 2022 às 12:27
Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, é acusado de assédio sexual por funcionárias do banco
Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, é acusado de assédio sexual por funcionárias do banco Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, ignorou as denúncias de assédio sexual e levou a esposa para um evento fechado sobre o Plano Safra nesta quarta-feira (29).
Na abertura, Guimarães agradeceu a presença da mulher, Manuella Pinheiro Guimarães, mencionou os filhos e disse ter uma vida pautada pela ética.
"Agradeço a minha esposa, de uma maneira muito clara. São 20 anos juntos, dois filhos, e uma vida inteira pautada pela ética", afirmou.
Ao final da fala, o presidente da Caixa levantou o crachá para a plateia e disse: "Meu crachá".
Após a participação de Guimarães, o mestre de cerimônias agradeceu a presença da esposa dele. Manuella Pinheiro Guimarães é filha do empreiteiro Léo Pinheiro, da antiga OAS.
As denúncias de assédio contra o presidente do banco foram reveladas nesta terça-feira (28) pelo portal Metrópoles, que relata a existência de uma investigação no Ministério Público Federal.
Depois que o caso veio à tona, a Caixa cancelou a coletiva de imprensa que estava marcada para esta quarta sobre o Ano Safra 2022/23, com a presença do presidente. A cerimônia foi fechada para funcionários do banco. A Folha teve acesso à transmissão do evento pela internet.
Nesta quarta-feira, interlocutores do Planalto revelaram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) escolheu Daniella Marques, braço direito do ministro Paulo Guedes (Economia), para presidir a Caixa Econômica Federal no lugar de Pedro Guimarães.
A informação é de que a manutenção de Guimarães à frente da Caixa Econômica Federal se tornou insustentável em meio às denúncias envolvendo o Executivo.
Uma funcionária do banco disse à Folha que os assédios do presidente da Caixa aconteciam diante de todos, dentro e fora da instituição.
A mulher, que pediu para ter o nome preservado por receio de retaliação, afirma que ficou em choque depois que Guimarães a puxou pelo pescoço e disse que "estava com muita vontade" dela.
"Depois, em outro momento, ele já passou a mão pela minha cintura e foi abaixando, mas saí antes que piorasse", afirmou em depoimento à Folha.

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