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Reação do mercado

Dólar sobe e vai a R$ 5,66 mesmo com intervenção do BC; Ibovespa tem alta

O real teve o pior desempenho do dia no mercado internacional com a desconfiança quanto ao novo texto da PEC Emergencial e o descontentamento do mercado com aumento de impostos para bancos

Publicado em 02 de Março de 2021 às 19:14

Agência Estado

Publicado em 

02 mar 2021 às 19:14
Dólar está em alta
Dólar está em alta Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Em novo dia de tensão no câmbio, o dólar chegou a bater em R$ 5,73 nesta terça-feira (2), obrigando o Banco Central a injetar US$ 2 bilhões no mercado. A desconfiança quanto ao novo texto da PEC Emergencial, com votação prevista para quarta (3) e o descontentamento com aumento de impostos para bancos, além da defesa de líderes parlamentares que gastos com Bolsa Família sejam retirados do teto, contribuíram para o real ter o pior desempenho do dia no mercado internacional.
Em outros emergentes, como Rússia, México e África do Sul, a moeda americana caiu hoje. No meio da tarde, o dólar reduziu um pouco o ritmo de valorização e voltou a operar abaixo de R$ 5,70, em um movimento de realização de ganhos e seguindo a melhora do humor nas bolsas internacionais e na B3, de acordo com operadores, mas a alta seguiu acima de 1%.
No fechamento, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,17%, a R$ 5,6660, maior nível desde 3 de novembro, quando foi a R$ 5,76. No mercado futuro, o dólar para abril subiu 0,70%, cotado em R$ 5,6870. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em alta de 1,09%.

LEILÕES PARA SEGURAR ALTA DO DÓLAR

Operadores relataram forte fluxo de saída de capital externo nesta terça, obrigando o BC a dar liquidez para estas retiradas. O Banco Central fez dois leilões de dólar à vista, de US$ 1 bilhão cada. Com a alta desta terça, o dólar já acumula valorização de quase 9,2% em 2021 ante o real, a pior moeda dos emergentes.
"Percebo que, aos poucos, está havendo uma clara mudança de política econômica neste governo. Pela primeira vez, começo a ficar desconfiado/desconfortável", comenta o estrategista e sócio da TAG Investimentos, Dan Kawa, em sua análise diária.
Os sinais, avalia, são de que o liberalismo econômico "ficou de lado" e o populismo começa a ganhar o espaço. A elevação do CSLL dos bancos, avalia Kawa, é "fiscalmente correta, mas politicamente populista", o que contribui para aumentar a insatisfação dos mercados.
O economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, alerta que é crescente o risco de mais medidas de intervenção e mais flexibilização fiscal, à medida em que a pandemia não dá sinais de perder fôlego no Brasil e os governos estaduais e municipais estão aumentando medidas de restrição, o que certamente pesará na atividade. Neste ambiente, o real vai seguir mais desvalorizado que seus pares.
O ceticismo com a PEC Emergencial só contribui para aumentar a pressão no câmbio. A consultoria internacional TS Lombard avalia que o texto, já desidratado em relação à versão original, não deve trazer alívio fiscal de curto prazo, o que só sinaliza a necessidade de mais reformas.
O relator da PEC, senador Marcio Bittar (MDB-AC), manteve os gatilhos para contenção de despesas, mas retirou de seu parecer a desvinculação de gastos com saúde e educação, desidratando o texto ainda em mais alguns pontos, mas não fez mudanças no Bolsa Família. Líderes do Senado querem tirar as despesas do programa do teto este ano, que somam R$ 34,9 bilhões, mas o ministério da Economia é contra.

BANCOS PUXAM ALTA DA BOLSA

O Ibovespa parecia a caminho de manter a linha dos 110 mil pontos pela terceira sessão consecutiva, tendo chegado aos 107.319,15 pontos na mínima do dia, em meio à expectativa para a votação da PEC Emergencial e a reação do mercado à decisão do governo de elevar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos.
Embora enfraquecido ao longo da sessão, o rumor de que o presidente Jair Bolsonaro faria recuo tático, anunciando aumento menor do que o inicialmente indicado (de 20% para 25%) na alíquota de CSLL dos bancos, contribuiu para manter o segmento entre os maiores vencedores do dia, com ganhos de 4,04% para Itaú PN e de 3,84% para BB ON, as duas maiores altas do Ibovespa. Em linha com índices de metais no exterior, destaque ainda para mineração e siderurgia, com Vale ON em alta de 3,07% e CSN de 2,56%.
Em direção ao fim da sessão, o Ibovespa mostrou fôlego para recuperar não apenas a linha de 111 mil pontos, mas também a de 112 mil, tendo chegado na máxima aos 112.428,08 pontos, em alta de 1,90%, em sessão bastante volátil, com oscilação de mais de 5 mil pontos entre o piso e o teto do dia.
No fechamento, o ganho foi moderado a 1,09%, a 111.539,80 pontos, ainda abaixo do nível de encerramento da quinta-feira, quando cedeu 2,95%. Contudo, emendou o segundo dia de recuperação, mesmo que parcial, após outro tombo, de 1,98%, na sexta-feira. Reforçado, o giro financeiro foi de R$ 50,3 bilhões na sessão e, na semana, o Ibovespa acumula ganho de 1,37%, com perdas no ano a 6,28%.

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