“É pau, é pedra, é o fim
do caminho”, diz Jobim;
da picada, creia em mim,
Em plena Casa de Leis,
cena feia teve vez,
mas devo alertar vocês:
talvez alguém enrubesça
Falo ou não falo? Falo!
É meu dever informá-los.
Faço só um intervalo
para que o suspense cresça
Dentro do Parlamento,
jorro de xingamentos
vindos de ninguém menos
que o presidente da Mesa
Foi Professor Jocelino,
autor de post ferino;
na prefeitura, um tiro,
por vinculá-la a uma treta
No plenário, a reação
foi de indignação.
Fizeram rebelião,
tomados pela surpresa
Derrubaram a sessão,
trancaram a votação,
pondo ainda mais pressão
e outra espada na cabeça...
... do presidente que, farto,
após encerrar o ato,
soltou cobras e lagartos
(o avesso da fineza)
Anderson Goggi cuja
boca ficou bem suja.
Nem na Sessão Coruja
aquilo teria licença!
Palavrões e impropérios
cabeludos, muito sérios.
Ao plenário, um vitupério
que a tal nível se desça
O microfone, atento,
captou os xingamentos.
Viralizou num momento,
percorreu toda a imprensa
Um dia após a explosão,
veio a satisfação:
(Expiação às avessas)
E o pedido formal?
“Cassar um par?!? Nem a pau!”
De Jocelino, afinal,
Goggi saiu em defesa
Sendo mais que um pau-mandado,
O caso foi sepultado
como nasceu: depressa
Mas vale meditar:
não se podem aceitar
falas de fazer corar
do bandido à princesa
Parlamento é de parlar,
mas não com tal linguajar.
Palavrão não tem lugar,
é ao povo uma ofensa!
Plenário não pode virar
estádio ou lupanar.
A Mesa não é de bar,
exige maior grandeza
Mesmo que estejam fulos,
moderem os termos chulos.
Mais respeito no futuro
com o Povo, Sua Excelência
E que a Câmara goze
dias de teor mais nobre,
que ali o decoro sobre
e de quem vê não se esqueça
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