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Antônio Carlos de Medeiros

Como está o barômetro político no ES às vésperas do início da campanha

A sucessão estadual está em aberto. A Quaest identificou uma indecisão ainda elevada, da ordem de 76%. Vem daí a necessidade de acumulação de forças e alianças

Publicado em 25 de Julho de 2026 às 04:30

Públicado em 

25 jul 2026 às 04:30
Antônio Carlos de Medeiros

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Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

Nesta altura do campeonato eleitoral no Espírito Santo, pode ser relevante um ensaio de observações sobre as bases eleitorais municipais dos partidos políticos, com as suas respectivas candidaturas e alianças.


Premidos pelo calendário eleitoral, os partidos políticos aceleram as escolhas das chapas proporcionais (deputado estadual e deputado federal) e das chapas majoritárias (senador, governador e vice-governador). Dia 15 de agosto é o Dia D dos registros das candidaturas.


O ranking eleitoral partidário nos municípios é aproximadamente o seguinte, com as nuances de mudanças de partidos de alguns prefeitos. 

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O Republicanos conquistou 8 municípios em 2024, com um eleitorado de 483.129 eleitores agora em 2026. Entretanto, com a saída dos prefeitos de Guarapari e Iconha da sua base, passou a ter 6 municípios, com 370.107 eleitores.


O PDT conquistou 4 municípios em 2024, com um eleitorado de 419.064 eleitores em 2026.


O Podemos conquistou 10 municípios em 2024, com um eleitorado de 388.366 eleitores em 2026.


A Federação PP-União Brasil conquistou 13 municípios em 2024, com um eleitorado de 386.443 eleitores em 2026.


O MDB conquistou 6 municípios em 2024, com um eleitorado de 341.506 eleitores em 2026.


O PSB conquistou 22 municípios em 2024, com um eleitorado de 324.214 eleitores em 2026.


O PL conquistou 6 municípios dm 2024, com um eleitorado de 134.856 eleitores em 2026.


O PSD conquistou 3 municípios em 2024, com um eleitorado de 103.854 eleitores em 2026.


O PSDB conquistou 4 municípios em 2024, com um eleitorado de 50.572 eleitores em 2026. Entretanto, os prefeitos dos 4 municípios (Laranja da Terra, Mantenópolis, Santa Tereza e São Roque) saíram da base. Depois, com a recente filiação do prefeito de Vila Velha, o PSDB ficou com um município e um eleitorado de 347.204 em 2026.


O PRD conquistou um município em 2024, com um eleitorado de 11.282 em 2026.


O PT e o PSOL não ganharam em nenhum município em 2024. Considerando a legenda e o voto nominal, o PT teve uma votação de 159.039 eleitores em 2024 e o PSOL teve uma votação de 28.924 no mesmo ano.


Em termos eleitorais esta é por assim dizer a matéria-prima dos partidos políticos capixabas. Considerando as alianças que estão em curso para as candidaturas majoritárias (governador, vice-governador e senador), a aliança da candidatura de Lorenzo Pazolini (Republicanos) com o PL representa uma base municipal eleitoral inicial de 504.963 eleitores em 12 municípios.


Considerando, por sua vez, a alianças da candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) com o PDT, o Podemos, a Federação PP-União Brasil e o PSB, elas representam uma base municipal eleitoral inicial de 1.859.593 eleitores em 55 municípios.


Está em curso o diálogo do PSD, através do seu presidente estadual Renzo Vasconcelos, com outros partidos, visando novas alianças. Como se sabe, o PSD retirou-se da aliança que estava em curso com o Republicanos de Lorenzo Pazolini. 


Já abriu diálogo inicial com a chapa do MDB de Ricardo Ferraço. Até 15 de agosto, saberemos se o PSD vai fazer aliança com outra candidatura majoritária ou se vai decidir disputar as eleições deste ano com candidaturas próprias, em “voo solo”.


Do ponto de vista do barômetro político provável, é necessário aguardar a resultante destes diálogos.


Considerando a candidatura de Helder Salomão (PT), presume-se que serão replicadas aqui no Espírito Santo as alianças correntes do PT com o PSOL e o PV. No caso da candidatura de Helder, a formação da chapa majoritária está em curso. 


Como não houve conquista de prefeituras em 2024, a sua base eleitoral parte da força política atual do PT regional: um senador da República, dois deputados federais – incluindo o próprio Helder Salomão -, e dois deputados estaduais, principalmente). Parte também do apoio da candidatura do presidente Lula à reeleição.


Nesta semana, o partido Missão, com a candidatura presidencial de Renan Santos, lançou Breno Barcelos como candidato ao governo do ES.

Alianças políticas pch.vector/Freepik

Aproximadamente, essas são as matérias-primas iniciais das forças políticas que caminham para as eleições regionais e ainda estão em processo da finalização de chapas e alianças.


A sucessão estadual está em aberto. A Quaest identificou uma indecisão ainda elevada, da ordem de 76%. Vem daí a necessidade de acumulação de forças e alianças.


É evidente o declínio do peso da polarização política como razão predominante de voto. O voto ideológico é superado pelo voto por entregas de serviços e boa gestão. Os eleitores, cansados com a polarização, preferem um bom gestor com olhar de futuro, em vez de escolher algum profeta do apocalipse.


A política eleitoral converge para o centro e para a moderação. Com viés de centro-direita.


A política capixaba de 2026 converge para a estadualização das campanhas.


O eleitorado experimentou três mudanças nos últimos anos: aumento da força dos evangélicos e das pautas de costumes; melhoria da formação educacional dos eleitores, agora com um eleitor mediano de nível médio de educação; e aumento do peso eleitoral dos eleitores de mais de 60 anos.


Está chegando a hora.

Antônio Carlos de Medeiros

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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