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Vitor Vogas

“Meu candidato à Presidência é o Lula”, carimba Casagrande

O fato em si não chega a surpreender, mas a declaração se destaca pelo inédito grau de ênfase e objetividade

Publicado em 25 de Julho de 2026 às 18:04

Públicado em 

25 jul 2026 às 18:04
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Casagrande com presidente Lula em Brasília (2024)
Casagrande com presidente Lula em Brasília (2024) Divulgação (Ricardo Stuckert)

“Meu candidato à Presidência é o Lula”, declarou Casagrande, categoricamente, em resposta a um questionamento nosso, durante entrevista coletiva concedida logo após a convenção estadual do PSB, realizada na manhã deste sábado (25), na qual o ex-governador teve o nome oficializado como candidato ao Senado.

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O fato em si não surpreende. Do ponto de vista partidário, o apoio é mais que natural, já que o PSB não só está novamente na coligação do PT na eleição presidencial como tornou a emplacar o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, como companheiro de chapa de Lula.


Mas a declaração de Casagrande é muito importante por conter um nível de ênfase e de objetividade que ele ainda não havia adotado, até este momento, ao tratar da disputa política nacional.


Pela primeira vez, sem rodeios nem floreios, Casagrande carimba sem deixar espaço a dúvida: seu candidato à Presidência é Luiz Inácio Lula da Silva. Seu voto para presidente em outubro será do petista.


Enquanto Casagrande apoia Lula, o PT no Espírito Santo apoia Casagrande, ainda que informalmente, para o Senado.


No começo de março, a direção nacional do PT definiu 27 candidatos ao Senado que terão o apoio da legenda nas eleições de outubro. A lista foi aprovada pela cúpula nacional do PT e publicada no dia 3 daquele mês pelo site Metrópoles, que teve acesso ao documento.


No Espírito Santo, além da reeleição do senador Fabiano Contarato, a cúpula nacional do PT decidiu apoiar o retorno de Casagrande ao Senado. Isso um mês antes de ele renunciar ao cargo de governador para poder se candidatar a um lugar na Câmara Alta.


Já naquela oportunidade, o presidente estadual do PT, João Coser, confirmou a veracidade da lista publicada pelo Metrópoles. Como Coser então explicou a este colunista, as eleições de Contarato e de Casagrande, nesta ordem, são “prioridade” não só para a direção nacional do PT como também para o presidente Lula, líder máximo da agremiação.


“A lista é nacional e é válida, sim. O que não ocorreu ainda foi debate local. Mas é uma prioridade de Lula e da Nacional. Nossa prioridade zero é Contarato, e Casagrande como segundo voto”, afirmou, em março, o presidente estadual do PT.

 

Por sua vez, a direção estadual do PSB e a sua militância veem com grande simpatia o mandato de Fabiano Contarato, e boa parte deverá apoiar e escolher o senador petista como segunda opção de voto, depois de Casagrande. Também de maneira informal.


Apesar das convergências na eleição para o Senado, PT e PSB desta vez não se coligarão no Espírito Santo por estarem em lados diferentes na eleição para o Governo do Estado. O PSB e o próprio Casagrande apoiam Ricardo Ferraço (MDB), atual governador, para o Palácio Anchieta.


O PT, por seu turno, lançou candidato próprio ao Palácio Anchieta: o deputado federal Helder Salomão, que pela primeira vez disputará o cargo de governador e tem o apoio pessoal do próprio Lula.


No Espírito Santo, o PT tem se firmado como crítico de Ricardo Ferraço, considerado pelo partido um governador e candidato de direita. Ricardo, por sua vez, não morre de amores pelo PT e não faz questão alguma de ter proximidade com o partido de Lula. A rejeição é mútua.


Tanto que, antes da passagem oficial de bastão de Casagrande para Ricardo (no dia 2 de abril), o PT, que participava do governo Casagrande, decidiu não fazer parte do governo de Ricardo.

Ultimamente, como já relatou a colunista Letícia Gonçalves, o sucessor de Casagrande tem feito acenos eleitorais ao eleitorado mais bolsonarista.


É nessa corda bamba político-eleitoral que Casagrande agora precisa se equilibrar. Dentro do PSB, ele mesmo, pessoalmente, nunca foi dos maiores fãs de Lula. Mas, se tem uma coisa que Casagrande sempre demonstrou, é lealdade e disciplina partidária, como militante orgânico e histórico do PSB. Se o candidato do PSB à Presidência é Lula, esse também é seu candidato.


Agora, porém, Casagrande precisa equacionar o fato de que apoia, ao mesmo tempo, para o Palácio do Planalto, o candidato do PT, e, para o Palácio Anchieta, um candidato que não curte o PT, que não apoia Lula e que é criticado pelo partido do presidente...


Isso enquanto o PT tem um outro candidato ao Anchieta, o qual não só desafia como critica Ricardo Ferraço, o candidato de Casagrande ao governo.


Deu nó, não deu? Pois é.


Enquanto busca se equilibrar nessa corda bamba cheia de nós, Casagrande é cobrado por dirigentes do PT e, acima de tudo, pela militância mais à esquerda do PSB. E fica aí a indagação:


Por acaso, desta vez, Casagrande entrará efetivamente na campanha de Lula, pedindo votos de verdade para ele nas ruas e no horário eleitoral, para ajudar a derrotar o bolsonarismo?


Ou será que, mais uma vez, o apoio será apenas proforma, por coerência, fidelidade partidária e respeito à decisão das instâncias maiores do PSB, repetindo 2022?


Vale lembrar que, naquele pleito, como candidato à reeleição, Casagrande não entrou de fato na campanha de Lula (que nem pisou no Espírito Santo) e ainda aceitou de bom grado o chamado “voto Casanaro”, para derrotar Carlos Manato no 2º turno.


Qual será sua resposta desta vez para a dúvida acima? Essa foi, com outras palavras, a pergunta que fizemos ao ex-governador.


Ele respondeu se esquivando:


“Estamos discutindo essa forma de trabalhar...”


A conferir em poucas semanas, quando a campanha começar para valer. 

Adendo

Uma coisa é certa, contudo, arrisco-me a afirmar aqui e agora, botando minha mão no fogo: a prioridade absoluta de Casagrande é a eleição local e a vitória de Ricardo Ferraço, para dar continuidade a seu trabalho e para que seu grupo político permaneça no poder no Estado.


Se tiver de “dar um migué” no PT em nome de seu projeto maior de reeleger Ricardo, sacrificando (ou ignorando) a campanha de Lula, Casagrande não vai nem titubear.


É a aposta deste colunista. 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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