Quase nove anos apos o assassinato de uma professora em Jardim Camburi, em Vitória, a Justiça do Espírito Santo se prepara para realizar um longo julgamento, com duração prevista de uma semana, a partir do dia 3 de novembro.
Estará no banco dos réus o engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado pelo feminicídio de sua esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, que lecionava Geografia em uma escola particular de Vitória. O crime ocorreu em dezembro de 2017.
O alerta sobre o tempo que deve durar o júri popular foi feito pelo juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, titular da 1ª Vara Criminal de Vitória. Em sua decisão, ele citou que a sessão plenária tem previsão de durar até uma semana, estimativa fundamentada no "enorme número de testemunhas arroladas pelas partes".
Além do interrogatório do réu, foram convocadas a prestar depoimento 25 pessoas, muitas delas sob “cláusula de imprescindibilidade”, ou seja, aquelas cujas informações são consideradas importantes para o processo.
São peritos, policiais, funcionários do prédio onde o crime ocorreu, familiares, amigos e pessoas que se relacionavam com a professora, com o engenheiro ou com o casal.
As solicitações feitas pela defesa do réu, assim como pela acusação, indicam que as apresentações vão ser técnicas, com apresentações de laudos, relatórios e perícias.
Desde o crime, foram encartados ao processo laudos periciais cadavéricos, de local do crime, médico legal, dos celulares, laudos para esclarecimentos técnicos, exames periciais, respostas a quesitos apresentados pelas partes, pareceres técnicos, extrações de dados de equipamentos.
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O Crime e as acusações
Danielly Benício foi encontrada morta em 30 de dezembro de 2017, no apartamento em que o casal morava, em Jardim Camburi. A causa da morte foi apontada como hemorragia na cabeça devido a traumatismo causado por ação contundente.
Patrick Noé foi acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e feminicídio, em um contexto de violência doméstica e familiar. A acusação sustenta que o engenheiro nutria um sentimento de posse e controle sobre a vítima, monitorando suas redes sociais através de um "clone" do aplicativo de mensagens.
Imagens de videomonitoramento do prédio mostraram que ele foi a última pessoa a entrar no apartamento antes da morte da professora, permanecendo no local por cerca de dois minutos antes de sair novamente.
O advogado de defesa não foi localizado, mas o espaço segue aberto à manifestação.