Há pouco mais de cinco anos, o estelionato assumiu a liderança dos crimes patrimoniais no Espírito Santo e, ano a ano, vem apresentando crescimento constante. Desde 2020, o aumento foi de mais de 134%. Apenas no ano passado, foram registrados 51.778 casos, o que equivale a um golpe a cada dez minutos, incluindo as fraudes praticadas no ambiente digital.
Os dados do mais recente Anuário de Segurança Pública apontam que o Espírito Santo está entre os seis estados do país com as maiores taxas de estelionato por 100 mil habitantes.
A lista é liderada por São Paulo (1.808,3 registros) e pelo Distrito Federal (1.717,0), seguidos por Paraná (1.339,1), Rondônia (1.329,6), Santa Catarina (1.294,8), Espírito Santo (1.254,7) e Goiás (1.075,6), grupo que reúne taxas superiores a 1.000 registros.
O impulso ao tradicional estelionato foi dado pelos golpes por meio eletrônico, que apresentaram um crescimento de 19,5% no ano passado. Foram 24.247 casos virtuais, o que representa quase metade do total de registros.
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O estudo aponta que, entre os golpes e fraudes mais comuns, estão: clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%), golpe do Pix (24%), uso indevido de CPF via SMS (13%) e leilão ou loja falsa (10%).
O levantamento destaca ainda o uso frequente da engenharia social, um conjunto de técnicas de manipulação para convencer a vítima a revelar dados, instalar aplicativos, entregar cartões, fornecer códigos de autenticação ou realizar transferências.
Abordagens que contam com a expertise e aparato tecnológico dos criminosos para convencer as vítimas a executar as operações que vão beneficiá-los. No mês passado, por exemplo, a Polícia Civil prendeu um grupo que utilizava um falso site de arrecadação de doações para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Posteriormente, os golpistas passaram a oferecer falsas propostas de empréstimo, fazendo vítimas em diversos estados.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estelionato é hoje o crime mais temido no país: mais de 83% dos brasileiros afirmaram ter medo de ser vítimas de fraude pela internet ou pelo celular.
O cenário se mostra ainda mais preocupante diante da subnotificação, já que as estatísticas consideram apenas as ocorrências registradas na polícia. Mas há os casos em que as vítimas, por diferentes razões, deixam de fazer o boletim de ocorrência.