O veterinário que foi denunciado por chantagem contra um milionário indiano será julgado esta semana, junto com uma dentista, por outro crime: o assassinato de um morador de rua em Vila Velha. Antes de ser morta com tiros nas costas e na cabeça, a vítima foi amarrada, espancada, teve pernas quebradas, segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
De acordo com decisão da 4ª Vara Criminal de Vila Velha, o júri popular será iniciado no dia 25, a partir das 13 horas, com previsão de término para o final do dia 26. Vão sentar no banco dos réus Thiago Oliveira do Nascimento e Gabriella Anacleto Kiefer.
O crime aconteceu em 29 de agosto de 2021, mas a investigação permaneceu estagnada por mais de dois anos, avançando apenas em janeiro de 2024, quando a arma, uma pistola, foi apreendida com Thiago durante a Operação Criptovet, realizada pelo MP, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Central), no caso envolvendo o indiano.
Laudos de confronto balístico confirmaram que os projéteis retirados do corpo da vítima saíram da arma localizada com Thiago. Ele confessou o homicídio, alegando legítima defesa. Já Gabriella optou pelo direito de permanecer em silêncio.
Crime e abandono
Gabriella era proprietária de uma clínica odontológica em Itapoã. No dia do crime ela visualizou através de câmeras de monitoramento em seu celular que o espaço estava sendo invadido por um homem e tudo indicava que estava ocorrendo um furto, como em outras ocasiões.
A denúncia do MP relata ainda que ela entrou em contato com Thiago, seu namorado à época dos fatos, tendo ambos se dirigido ao local, onde se depararam com um homem não identificado. Ainda na clínica, a vítima foi alvo de um disparo e, em seguida, foi amarrada, colocada a bordo de um carro e levada para um loteamento às margens da Rua Rio Doce, em Vale Encantado.
O texto ministerial informa ainda que a vítima foi encontrada com os pés e mãos amarrados com corda e com as duas pernas quebradas. Além disso, tinha perfurações por arma de fogo nas costas e na cabeça.
No processo, a defesa de Gabriella questiona várias informações, assinalando que ela não teve participação no crime e que não chegou a entrar na clínica.
Por nota, seu advogado, Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho destacou que "a acusação de Gabriella decorre de um conjunto de equívocos que serão esclarecidos perante a justiça”. E acrescentou que está confiante de que a justiça será feita. “Gabriella será declarada inocente."
O advogado de Thiago foi procurado e informou que o processo está sob sigilo. O espaço segue aberto à manifestação.
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Chantagem contra estrangeiro
Thiago é alvo de outra ação penal em que chegou a ser preso em janeiro de 2024, a partir da Operação Criptovet, realizada pelo Gaeco, mas foi libertado por decisão judicial em abril do mesmo ano.
Trata-se de acusações de que teria obtido pelo menos US$ 1,8 milhão (cerca de R$ 9 milhões) em criptomoedas ao ameaçar revelar imagens e mensagens que provavam que um empresário indiano teria mantido um relacionamento extraconjugal com uma brasileira.
A denúncia chegou ao Ministério Público pelos advogados do magnata, que concedeu acesso aos dados do aparelho celular dele com as trocas de mensagens entre os dois. Em diversos momentos, segundo informações extraídas do telefone do empresário, Thiago forneceu dados que o identificariam como autor da extorsão.
Neste caso, a defesa dele é realizada pelo advogado David Metzker, que não se manifestou assinalando que o processo tramita sob sigilo.
As informações levantadas pela coluna são de que o processo relativo a chantagem foi transferido para a Justiça Federal, onde a denúncia que havia sido feito pelo MPES foi confirmada e, atualmente, ainda estão sendo realizadas as audiências iniciais, chamadas de instrução e julgamento, fase em que são ouvidas as testemunhas e feitos interrogatórios.