O mercado da construção no Espírito Santo será um dos mais beneficiados com o novo ciclo de desenvolvimento previsto para o Estado nos próximos três anos. Segundo dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o território capixaba tem uma carteira estimada em R$ 138 bilhões em investimentos públicos e privados previstos até o ano de 2029, dos quais 70% já se encontram em fase de execução.
O setor da construção civil será o principal elo estratégico para a materialização desses projetos, que vão de grandes obras rodoviárias até complexos portuários e industriais. Os dados foram divulgados durante o painel “Desafios e oportunidades para o setor de construção, imobiliário e infraestrutura com o Desenvolvimento do ES”, realizado nesta quinta-feira (9), durante a ES Construção Brasil.
De acordo com indicadores do Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a construção civil responde por 4,2% da economia estadual, reunindo cerca de 6.800 empresas. O setor emprega formalmente 72 mil trabalhadores — o que representa 6,5% do mercado de trabalho capixaba —, com uma remuneração média de R$ 3.500.
O setor movimenta cerca de R$ 8 bilhões anuais e injeta R$ 4 bilhões líquidos por ano na economia local por meio de salários, impostos e lucros, consumindo a outra metade em insumos de fornecedores da cadeia produtiva.
“Quando esses investimentos vêm para o Estado, eles movimentam o setor da construção: são necessários mais apartamentos, mais casas, mais saneamento. Tudo isso tem que ser planejado. A construção atua como transformação do território, materializando investimentos, conectando setores econômicos e estruturando cidades, logísticas e indústria. É um segmento que gera postos de trabalho em todos os municípios, além de impulsionar a demanda”, explica a gerente-executiva do Observatório Findes e economista-chefe da Findes, Marília Silva.
Demanda imobiliária e gargalos de infraestrutura
A expansão industrial, simbolizada por aportes como os da Great Wall Motors (GWM) em Aracruz, da fábrica de aviões em Jaguaré e da Autoglass em Guarapari, gera reflexos diretos no mercado imobiliário.
Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento do Espírito Santo (Sedes), Rogério Salume, a região do ParkLog Norte (que compreende Aracruz, Linhares, João Neiva e Ibiraçu) necessitará de 7 mil novas moradias até 2029 para absorver os trabalhadores técnicos e operacionais atraídos pelas novas indústrias. No Sul do Estado, o início das obras do Porto Central projeta impacto semelhante na demanda residencial e de galpões logísticos.
“A construção é um vetor do desenvolvimento do Espírito Santo neste momento em que o território se caracteriza como um ‘estado luz’ no Brasil. Atualmente vivemos com a menor taxa de desocupação dos últimos 40 anos, de 2,4%, enquanto a média do Brasil é de 5,1%. Isso mostra que o Espírito Santo está conseguindo ter crescimento econômico combinado com desenvolvimento social”, explica o economista e professor da UVV, Pablo Lyra.
No entanto, o setor produtivo aponta que a burocracia e a falta de padronização nas legislações municipais ainda são os principais entraves para que o mercado consiga cumprir prazos e destravar novos canteiros de obras.
“Divergências técnicas entre códigos de obras, planos diretores e leis de parcelamento do solo fazem com que processos de licenciamento ambiental e aprovação de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) demorem até dois anos. A falta de uniformidade nas legislações locais e o excesso de artigos jurídicos geram insegurança técnica e paralisam novos empreendimentos”, aponta o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Douglas Vaz.
Para ele, é necessária a criação de forças-tarefas que unam o Ministério Público, secretarias municipais e o setor produtivo para simplificar e padronizar os Planos Diretores Municipais (PDMs), reduzindo o volume de artigos e digitalizando os processos que ainda tramitam em papel.